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    Na Virada do Século - Poesia de Invenção no Brasil

    Cláudio daniel, Frederico Barbosa

    Landy
    2002
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 85-87731-63-7
    Português Brasileiro
    3.8
    14 avaliações
    Leram18Lendo0Querem8Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados8Avaliaram14

    Este lançamento da Landy Editora é o mais extenso panorama da poesia contemporânea já publicado no país. Organizado pelos poetas Frederico Barbosa (Prêmio Jabuti da CBL) e Claudio Daniel (Prêmio Redescoberta da Literatura da Revista CULT), o livro reúne poemas de 46 poetas brasileiros que vão desde Glauco Mattoso, Antonio Risério, Julio Castañon Guimarães e Carlos Ávila, que começaram a aparecer nas décadaa de 70 e 80, mas só foram editados com destaque na década de 90, passando por autores que despontaram como forças poéticas originais na década passada, como Josely Vianna Batista, Claudia Roquette-Pinto, Arnaldo Antunes, Ademir Assunção, Carlito Azevedo, Jorge Lucio de Campos, Ricardo Aleixo, os próprios organizadores e tantos outros, até chegar aos novos talentos que despontam como esperanças de poéticas inventivas e contundentes para o século XXI, como Reynaldo Damazio, Matias Mariani, Eduardo Sterzi e Tarso M. de Melo, entre outros. A antologia apresenta tendências poéticas muito variadas, com representantes do Pará ao Rio Grande do Sul. Trata-se, como o afirmou Sebastião Uchoa Leite, de "uma antologia que já nasce clássica", pois já nasce indispensável para qualquer leitor que se interesse pelos rumos da poesia no Brasil hoje.

    Resenhas (1)Ver mais
    Eduardo Vilar picture
    Eduardo Vilar10/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "tecer o fio de Ariadne / sem ao menos a intenção / de um dia retornar" (trecho de "Discurso", de Sergio Cohn)

    A edição parece revelar bastante sobre o livro. A capa, de um dourado fosco, e a contracapa bege parecem de um valor que não quer parecer facilmente convidativo ao leitor, lembrando as próprias páginas amareladas pelo tempo (é um livro esgotado, comprei em um sebo). O livro é alto e estreito, o que parece se adequar aos versos curtos de muitos dos poetas, que fazem com que os poemas ganhem ainda mais verticalidade. Além disso, o livro se torna mais grosso e o miolo apresenta certa resistência ao ser aberto pelas mãos. De modo semelhante são muitos os poemas, que na grande maioria não procuram seduzir pela facilidade das imagens, mas pela dificuldade das construções que buscam certas experimentações, certo senso de autonomia e referências a autores da tradição artística e de culturas diversas que não quer facilitar para o leitor desavisado. De modo geral, é um livro que me despertou mais interesse do que gosto. Duas questões saltaram aos meus olhos: como a autonomia literária desses poemas poderiam ser relacionadas à autonomização do campo literário deixada pelos anos pós-ditadura e como muitos dos poemas tematizam certo isolamento e estreitamento de perspectivas do eu lírico - muitos poemas são restritos ao espaço da casa/apartamento - o que talvez remeta tanto a transformações da sociabilidade do "Brasil entre muros" como também ao lugar que essa poesia mais autônoma ocupa. Quanto a intertextualidades marcantes para pensar esses autores, há muito das vanguardas, da poesia concreta e da poesia marginal (Leminski em especial), além da poesia beatnik. Admiro o fato de terem dedicado uma seção do livro a autores que à época ainda não haviam publicado livros próprios, mostrando interesse dos organizadores não só na poesia escrita até então mas também na poesia por vir. Admiro também o fato de ser uma antologia que parece se organizar mais por um critério de qualidade/gosto do que por ser um panorama que tende à neutralidade. Minha impressão enquanto leitor era de que os organizadores Claudio Daniel e Frederico Barbosa se colocaram enquanto leitores em relação aos poemas para selecioná-los. Dos 46 poetas que compõem a antologia, gostei especialmente de 6 deles: - André Dick (achei impecável misturando senso de construção e senbilidade nos poemas); - Arnaldo Antunes (sempre me pareceu jogar com a linguagem evitando ser hermético, o que lembra algumas das canções que ele fez com os Titãs); - Eduardo Sterzi (tem também ótimo senso de construção, que às vezes parece um pouco artificial, mas que consegue alcançar imagens bem precisas); - Fabrício Marques (outro que também me encantou pelo senso de construção mas sem matar a vida do poema); - Gauco Mattoso (consegue misturar erudição e derrisão como ninguém), Ricardo Aleixo (gostei bastante de alguns dos seus poemas dedicados a orixás); - Micheliny Verunschk (pela dicção elevada que me lembrou um pouco de Hilda Hilst). Para além desses poetas, gostei bastante de diversos poemas isolados de outros escritores. Dito tudo isso, no geral, não gostei da maioria dos poemas que compõem a antologia. Se tivesse que explicar esse não gostar, talvez seja por eu ter dificuldade de gostar dos poetas que são herméticos demais ou que, influenciados pelo concretismo e pela poesia visual, fazem poemas cuja graça parece muito restrita ao próprio trabalho com a construção do poema, sem uma preocupação mais clara e direta com a expressão de sentimentos ou com a reflexão social.

    1 curtida

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    Avaliações

    3.8 / 14
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas43%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas7%