Bela compilação, que apresenta de forma sintética e bem didática as principais histórias da mitologia grega, além do resumo esquemático da Ilíada e da Odisseia, apresentadas canto a canto. O livro encerra com um extenso glossário, que torna a obra útil e relevante para estudantes e demais interessados na Grécia antiga.
Para mim o deleite maior foi retornar ao maravilhamento que experimentei durante a leitura da Ilíada e da Odisseia. Como no momento estou assistindo pela segunda vez a uma versão televisiva do Mahabharata, o colossal épico indiano (http://youtu.be/McSmalNON-E?list=PLZkpkVjDF-_kOoX8NCPpzFrOt7ToUsJLa), fiquei pensando muito no encanto e na riqueza imorredoura dos grandes clássicos.
O que, por extensão, me levou a pensar sobre essa curiosa enfermidade mental dos tempos modernos, que é considerar o novo como sempre melhor que o antigo. Creio que essa doença que afeta a percepção e o julgamento tem sua origem em dois grandes movimentos coletivos, que são o Evolucionismo Cultural e a Indústria do Consumo. Por um lado, o Evolucionismo Cultural (uma adaptação meio “Mandrake” da Teoria da Evolução à sociedade humana, que foi concebida para justificar o Imperialismo Europeu) nos induz a considerar como ápice de realização e sabedoria humanas o cidadão europeu (e, mais recentemente, norte-americano) médio. Por outro lado, a Indústria do Consumo hipnotiza corações e mentes para comprar a última novidade, que sempre será melhor e mais interessante que a novidade de ontem, que deve ser descartada como lixo inútil, pois só assim se mantém a grande roda dourada do consumo funcionando...
E daí resulta esse curioso fenômeno, que é haver tantas pessoas achando imprescindível ler e ver os Cinquenta Tons de Cinza, e que talvez nem saibam se a Odisseia, a Ilíada e o Mahabharata são de comer ou de passar no cabelo...
Acho triste, isso.