Depois de ver tantos filmes e ler alguns livros sobre II Guerra Mundial e Holocausto, essa obra toca em uma ferida que eu, e creio que muitas outras pessoas, nunca havia pensado a respeito : como foi o período pós libertação dos campos de concentração.
Talvez seja porque tenhamos uma idéia meio filme da Disney de que todos viveram felizes para sempre após a libertação. E como houve o reconhecimento do estado de Israel e uma diminuição do anti-semitismo, construímos uma ideia de que o pós guerra foi apenas de alívio para o povo judaico, apesar dos óbvios e imensos traumas.
A escala do sofrimento nesse período pós-libertação é apenas amenizada, mas ainda assim seguem presentes a fome, o frio, o desamparo e a solidão.
Sobre o livro em si, é uma continuação de É Isso um Homem na qual Primo Levi descreve e transmite de forma muito competente o sofrimento e o medo de morrer mesmo depois da libertação pelos soviéticos. O relato em primeira pessoa funcionou mais para mim no primeiro livro pois, de forma geral, sabemos as razões de existirem os campos de concentração e um relato pessoal de como era sobreviver ali é fascinante, embora macabro. Embora não seja uma falha do livro, A Trégua segue com esse relato mais pessoal e senti falta de saber como foi a libertação de outros campos de concentração e como o tema foi tratado pelos Aliados, que provavelmente estavam focados em seguir com a invasão da Alemanha e conquista de Berlim.