Uma cidade no Trópico - São Sebastião do Rio de Janeiro

    Miran de Barros Latif

    Agir
    1965
    231 páginas
    7h 42m
    ISBN-13: 9788522005925
    Português Brasileiro

    A visão mesológica e o habitual entrelaçar de temas caracteriza "Uma cidade no trópico – São Sebastião do Rio de Janeiro" (Livraria Martins, São Paulo, 1ª ed., 1948; Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 2ª ed., 1965), insuperável painel da vida da cidade, "sem os batuques exaltados e falsos" (Luís da Câmara Cascudo), "o romance plástico do Rio de Janeiro" (Alceu Amoroso Lima), ainda atualíssimo, cinqüenta anos depois de escrito, o então Prefeito Luiz Paulo Conde costumava oferecê-lo a visitantes e forasteiros para melhor compreenderem as nossas complexidades e maravilhas. Trata desde a função estratégica do porto "para consolidar as fronteiras do sul" durante o expansionismo lusitano em áreas temperadas, comenta o caráter defensivo do arruamento, os trapiches, o "mercado-de-ver-o-peso", a ocupação dos quatro morros por ordens religiosas e pelo Bispado, a escassa monumentalidade, as benfeitorias no largo do "Paço dos Vice-Reis", até constatar que, no século XX, "arranha-céu e automóvel estão a se digladiar", o que faz entrar em cena o "urbanista preceptor"... "como promotor público a defender o bem comum das especulações exageradamente individualistas". Aponta também outro indutor de adensamento na disputada faixa entre mar e montanha: as "organizações de serviços públicos para diminuírem a rede distribuidora de utilidades. A água, o gás, a eletricidade levados a domicílio, tornam-se melhor negócio e os ascensores são consumidores de força". Sabedor das eternas pressões, registra que "modificam-se a todos propósitos os regulamentos, fazem-se concessões e avalia-se o prestígio dos donos dos arranha-céus pelo maior desrespeito às posturas municipais", e lamenta a perda da relação equilibrada entre a casa e a cidade, em respeito mútuo, "sempre que o homem agiu ordenadamente orientado pela razão", para fechar a questão: "o individualismo na sua exuberância desarticula-se assim da coletividade". Em crônica de jornal critica a expansão urbana indiscriminada "e um capitalismo desenfreado... que alongou as cidades demasiadamente e fez bons negócios abrindo ruas lá onde deviam ser apenas caminhos" e sugere legislações inibidoras contra a proliferação de loteamentos onde "quem construir a sua casa cairá na esterilidade dos desambientados." (Alex Nicolaeff)

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