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    Dublinesca -

    Enrique Vila-Matas

    Cosac Naify
    2011
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9788575038697
    Português Brasileiro
    4
    50 avaliações
    Leram87Lendo7Querem155Relendo0Abandonos2Resenhas6
    Favoritos11Desejados155Avaliaram50

    Oitavo título de Enrique Vila-Matas publicado pela Cosac Naify, Dublinesca narra a história de um renomado editor catalão, Samuel Riba, que chega à meia-idade imerso numa profunda crise existencial, amorosa, sentimental e histórica. Abstêmio e aposentado, trocou o álcool pelo computador e ressente-se da falta de uma vida social agitada, com autores e eventos literários. Riba deseja estar em Nova York, o centro do mundo, onde vive seu amigo Paul Auster. Mas seu provincianismo, e a vontade de dar o que chama de salto inglês, o faz buscar refúgio em Dublin, na Irlanda. Lá, guiado pelo Ulysses, de James Joyce, e imaginando-se testemunha da grande crise editorial do século – o atropelo do livro impresso pelo digital –, Riba pretende comemorar o bloomsday e promover um funeral íntimo de uma época: velar a passagem da era de Gutenberg para a do Google. A orelha da edição brasileira é assinada pelo escritor argentino Ricardo Piglia.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino19/05/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    dublinesca

    Soube de "Dublinesca" na revista "Qué Leer", a melhor referência que conheço sobre o mercado de livros publicados na Espanha (um dos maiores mercados editoriais do mundo, nunca é demais lembrar). Quando soube que o livro gravitava em torno de um Bloomsday fiquei entusiasmado e encomendei-o no mesmo dia. O livro chegou rápido e interrompi, claro, tudo o que já havia começado. Li segurando o ritmo, único jeito de aproveitar um tanto mais o bom humor, as boas idéias e o bom texto de Enrique Vila-Matas. Que livro divertido! Um editor quase falido mais que quase aposentado, de seus sessenta anos, deprimido, preso em uma rotina de compromissos e aparências tem uma espécie de epifania. Ele pensa em viajar a Dublin (nas suas palavras terra literária por excelência, cidade que James Joyce retratou no romance-síntese Ulysses e que representaria o melhor que a literatura pode alcançar) para organizar uma espécie de funeral da "era de Gutenberg", réquiem do mundo do livro como conhecemos. Para ele os livros impressos serão definitamente substituídos pelos digitais. O leitor de livros impressos, já vulgarizado pela tirania dos best-sellers e livros de auto-ajuda, será substituído pelo leitor raso e veloz do google e do wikipedia, quedará prisioneiro do vasto depósito de informações e estímulos que nos oferece a internet. O futuro do livro é uma ilusão. Com este mote Vila-Matas constrói um romance que é movimentado, instigante, provocador e que deixa o leitor refletir por si próprio. Há muito material metalinguístico, intertextual, muitas citações eruditas, longos aportes de reflexões sobre pintura, cinema e literatura, muito da cultura pop também, enfim, muitos truques literários mais ou menos conhecidos, mas nada disto torna o texto maçante ou convencional de ler. O editor, Samuel Riba, como o Leopold Bloom do Ulysses, algo judeu e deslocado em seu ambiente catalão, consegue convencer um pequeno bando de amigos a acompanhá-lo em sua peregrinação à Dublin. Estes fiéis pouco sabem das outras obsessões que acompanham o projeto de Riba: o fato dele nunca ter encontrado um escritor genial que pudesse editar; a própria idéia do funeral do livro impresso; de saber se é New York ou Dublin a capital da solidão da velha literatura; do processo de purgar sua ruína como homem das letras. Mas Riba convence estes três amigos escritores a acompanhá-lo. Chegando a Dublin eles reproduzem parte das andanças de Bloom, principalmente aquelas relacionadas ao capítulo seis do Ulysses, onde o personagem atende ao funeral de Paddy Dignam acompanhado também por três sujeitos. Também como Bloom, Riba, antigo bebedor, agora abstêmio, não participa de todas as aventuras literárias e etílicas relacionadas ao Bloomsday. A este grupo fundador outros personagem se juntam, cada um à seu modo correspondente a um dos personagens do romance de Joyce. São passagem memoráveis, tanto pela invenção, quanto pela capacidade de iluminar as passagens originais do livro. Há coisas curiosas no livro que de início incomodam, estranham o leitor familiarizado com o Ulysses, mas que mais tarde se resolvem muito bem. Por exemplo, chove à beça na Barcelona, mas só quando chegamos a cinzenta mas quase primaveril Dublin, entendemos que tudo pode ser fruto da imaginação de um fantasma, de alguém que está já ao caminho do Hades sombrio e que divaga com sua história e seus projetos (quase todos baldados). "Dublinesca" é um livro que permite muitas leituras, que localiza um fim para a alta literatura, mas que aponta para caminhos que os demais escritores (e os demais leitores) possam trilhar. O livro, tripartido, chega a um final que a exemplo do Finnegans Wake, também de Joyce, permite um recomeço, cíclico como Vico já nos ensinou. A boa literatura sempre sobrevive. Por fim, curiosamente soube que de fato Vila-Matas participou de seu primeiro Bloomsday em 2008 com três amigos espanhóis e que lá fundou uma ordem literária, "El ordem del Finnegans", cujos cavaleiros se comprometem a atender todos os Bloomsday futuros com disciplina e vigor. Que grande sacada. Será que este projeto só sobreviverá enquanto for necessário promover "Dublinesca"? Logo veremos... . [início 01/06/2010 - fim 04/06/2010] "Dublinesca", Enrique Vila-Matas, editora Seix-Barral, 1a. edição (2010), brochura 13,5x23 cm, 328 págs. ISBN: 978-84-322-1278-9

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    4 / 50
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas38%
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    Enrique Vila-Matas

    Enrique Vila-Matas (Barcelona, 1948) é um escritor espanhol. Nasceu em Barcelona em 1948. Em 1968 foi viver para Paris, auto exilado do governo de Franco e à procura de maior liberdade criativa. O apartamento onde se instalou foi-lhe alugado pela escritora Marguerite Duras. Durante esse anos subsistiu realizando pequenos trabalhos como jornalista para a revista "Fotogramas", e chegou a colaborar como figurante em Estoril num filme de James Bond. Vila-Matas publicou o seu primeiro livro, "La Asesina Ilustrada", em 1977, e desde então não mais deixou de escrever pois, segundo ele, "escrever é corrigir a vida, é a única coisa que nos protege das feridas e dos golpes da vida." Com a publicação de "História Abreviada da Literatura Portátil" começou a ser reconhecido e admirado no âmbito internacional, especialmente nos países latino-americanos, França e Portugal. As suas obras são uma mescla de ensaio, crônica jornalística e novela. A sua literatura, fragmentária e irônica, dilui os limites entre a ficção e a realidade. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 e que, até à data, foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional.

    42 Livros
    80 Seguidores

    Enrique Vila-Matas