Atos de extrema estupidez estão por todos os lados, muitas vezes cometidos por pessoas brilhantes. O comportamento de indivíduos espertos - presidentes, professores, promotores - é, às vezes, inexplicavelmente tolo. Este livro procura responder por que tais pessoas podem chegar agir de maneira tão estúpida - a ponto de, em alguns casos, destruir suas carreiras e suas vidas. Apresentando o que a mais atualizada pesquisa psicológica tem a dizer sobre a estupidez na vida cotidiana, Sternberg e seus colaboradores apresentam exemplos de pessoas sabotando seu próprio sucesso e oferecem explicações sobre este tipo de comportamento. Mostram, por exemplo, como a atitude e o conseqüente desempenho de pessoas pode mudar de acordo com suas crenças em uma inteligência fixa (que não pode ser aprimorada) ou flexível (que pode ser treinada e ampliada) ou ainda de acordo com a personalidade (mais ou menos extrovertida, narcísica, dependente etc).
Por que as Pessoas Espertas Podem Ser Tão Tolas? -
Robert J. Sternberg
O que a esperteza e tolice podem dizer sobre a inteligência?
Surpreendendo e nem um pouco de auto-ajuda. Não julgue um livro pela capa. Bem, eu cometi o erro de julgá-lo pelo título até perceber quem é o autor. Robert J. Sternberg é um renomado psicólogo cognitivo, autor do manual “Psicologia Cognitiva”, que é utilizado em graduações e pós-graduações nacionais e internacionais. Porém, minha maior surpresa se deva ao fato do livro abordar assuntos tão complexos a partir de experiências tão comuns sem perder sua profundidade científica. Vou esclarecer melhor meu ponto de vista. Falar de psicologia no Brasil é estar falando em psicoterapia, transtorno mental ou é confundida com auto-ajuda e pouquíssimo do que se publica são trabalhos sérios sobre psicologia para o público em geral. Assim, esse livro vai abordar a questão da inteligência não-patológica a partir de fatos bastante interessantes do nosso dia-a-dia, de fatos jornalísticos e históricos (ex.: o escândalo do ex-presidente Clinton e Mônica Lewinsky). O livro é composto de 11 capítulos e diversos autores, sendo o Robert J. Sternberg o organizador da obra. O primeiro capítulo é uma excelente introdução do percurso da obra e seu autor já nos apresenta alguns conceitos que serão debatidos na obra, como as dificuldades de uso dos conceitos “estupidez”, “tolice”, “inteligência” e “esperteza”. No segundo, a autora Carol S. Dweck faz uma excelente discussão sobre como nossas concepções de inteligência podem ter tremendo efeito sobre nós (no site www.ted.com há um vídeo em que ela aborda o mesmo tema deste texto). Nos capítulo 3, 4, 5 e 6, os autores vão explorar diversas teorias cognitivas sobre a inteligência a partir de situações reais, como na administração e política. Nos capítulo 7, 8, 9, 10 e 11, grandes teorias cognitivas sobre pensamento, inteligência e personalidade são exploradas na tentativa de compreender como estupidez/ tolice e esperteza/inteligência se estabelecem no funcionamento mental. Apesar de bem escrito e referenciado, o livro pode ser difícil para quem não está habituado com leituras sobre cognição. Linguagem estatística e discussões conceituais podem ser um pouco confuso, mas o livro é muito esclarecedor. A forma como revisa os conceitos de estupidez e tolice e amplia a noção de inteligência/esperteza e sabedoria, além de apresentar novas possibilidades de leituras sobre os estudos do pensamento, acaba por tornar o livro uma ótima referência para quem quer seguir pela psicologia e teoria cognitiva.
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