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    Para uma nova interpretação de Platão - Releitura da metafísica dos grandes diálogos à luz das 'Doutrinas não escritas

    Giovanni Reale

    Loyola
    1997
    642 páginas
    21h 24m
    ISBN-10: 8515014904
    Português Brasileiro
    3.8
    13 avaliações
    Leram29Lendo9Querem107Relendo1Abandonos0Resenhas1
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    Esta obra propõe-se levar a cabo, mediante rigorosa análise textual dos Diálogos de Platão, a demonstração da tese formulada, desde fins da década de 1950, pela Escola de Tübingen (cujos representantes principais são H.-J. Krämer e Konrad Gaiser), segundo a qual é necessário pôr as doutrinas não-escritas (ágrapha dógmata) no centro da exegese filosófica da obra escrita de Platão para que, desses textos, possa emergir a primeira e mais audaz construção metafísica da filosofia ocidental. A tese dos mestres de Tübingen é apresentada por G. Reale como uma revolução científica (no sentido de Th. S. Kuhn) na historiografia filosófica do platonismo. Se pensarmos na posição arquetipal de Platão na história da filosofia ocidental, é toda a história da filosofia que passa a ser lida sob nova luz. A tese de Krämer e Gaiser introduz um novo paradigma hermenêutico a ser aplicado à leitura dos Diálogos, e esse paradigma tende a tornar obsoleto o paradigma até agora vigente, aquele que sustentava a ciência normal do platonismo nos dois últimos séculos. Em torno do novo paradigma hermenêutico para a leitura de Platão, os estudiosos se dividiram. O livro de Reale é um passo importante e talvez definitivo para a recuperação das doutrinas não-escritas e de sua articulação com as linhas fundamentais do pensamento de Platão, tal como pode ser reconstituído a partir dos Diálogos. Mas seria ingênuo supor que a tarefa hermenêutica em torno do texto de Platão tenha, enfim, resolvido seus grandes problemas. A bibliografia platônica é um campo sem fim, justamente porque o texto de Platão e tudo o que nos foi legado em seu nome formam um tesouro inesgotável. Desse tesouro, Reale nos oferece agora uma soma rara de riquezas. Muitas ficam por descobrir. O livro reúne os méritos de uma exposição clara e conduzida com habilidade didática, capaz de atingir não só o círculo dos especialistas, mas os mais amplos círculos de interessados em filosofia, a par da originalidade de seu impulso científico, que amplia e aprofunda, em várias direções, a interpretação de Platão. A presente obra constitui a contribuição filosoficamente mais relevante ao novo paradigma dos estudos sobre Platão e marco de fundação da Escola de Milão de estudos platônicos.

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    Felipe Correia Pimenta picture
    Felipe Correia Pimenta23/06/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Platão à luz das doutrinas não-escritas

    A filosofia de Platão já é muito admirada por sua riqueza, especialmente a sua Teoria das Ideias. No entanto, a maioria das pessoas desconhece uma outra parte da filosofia platônica, que é a Teoria dos Princípios, a qual faz parte das “doutrinas não-escritas” de Platão. A existência dessa Teoria e das doutrinas não-escritas são defendidas por Reale e pela escola de Tübingen, na Alemanha. Reale acredita que a parte principal da filosofia de Platão não é a Teoria das Ideias, mas sim, a Teoria dos Princípios. Isso porque ele se baseia em uma passagem do Fedro e da Carta VII de Platão para sustentar que a parte mais importante da filosofia platônica foi transmitida de forma oral, e não está contida de maneira completa nos diálogos, de maneira que nesses últimos estão presentes passagens( especialmente no Fedro) que indicam que Platão admitia que o que é mais importante deve ser ensinado pela oralidade, já que o verdadeiro filósofo não coloca a melhor parte de sua doutrina no papel. A parte oral da filosofia platônica é confirmada nos diálogos O Sofista, Político e Filósofo, sendo que esse último jamais foi escrito porque havia uma distância em proporção geométrica entre o Filósofo e o Sofista e Político. Esses dois últimos diálogos foram colocados no papel, mas o Filósofo, diz Reale foi confiado à oralidade dialética. Nessa citação do livro, Reale explica:” A trilogia Sofista, Político e Filósofo implica dois logoi escritos em justa proporção, e um terceiro logos que não pode ter uma simples proporção geométrica com aqueles, por causa da diferença de valor do seu objeto, e que só pode ser desenvolvida na perspectiva e na dimensão da oralidade dialética. Assim, esse logos não deve ser escrito em rolos de papel, mas diretamente nas almas dos homens, porque só em tal dimensão do “escrever nas almas” mediante a “oralidade” o logos pode ter a justa proporção com o seu objeto.” Reale defende o pensamento de Platão dos ataques que sofreu de Aristóteles em sua Metafísica e esclarece melhor certas ideias de Platão como a dos números ideais. Um capítulo muito bom desse livro é o que fala da “segunda navegação como símbolo de acesso ao supra-sensível”. Essa segunda navegação é aquela em que depois de perder a força do vento, navega-se com o remo. Isso significa que o vento dos filósofos físicos ( pré-socráticos) eram os sentidos e as sensações, e os remos da segunda navegação são os raciocínios e os postulados, segundo a explicação de Reale. Essa segunda navegação, diz Reale, ” levou Platão a reconhecer a existência de dois planos do ser: um fenomênico e visível, e outro metafenomênico, captável apenas com os logoi”, sendo puramente inteligível. Na sequência do livro, Reale destaca várias passagens do Fédon e do Fedro para confirmar a tese de que o mais importante na filosofia platônica é a Teoria dos Princípios”. O livro possui análises de diversos diálogos que, segundo Reale só podem ser compreendidos à luz da doutrina não-escrita de Platão. Esses diálogos são o Fedro, Fédon, Filebo, Sofista, A República e Timeu. Em relação ao Timeu, a explicação do autor é muito útil, porque esse é de longe o mais complicado diálogo de Platão. Publicado em http://resenhasdefilosofia.wordpress.com/

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    Giovanni Reale

    Formou-se em filosofia na Universidade Católica do Sagrado Coração, em Milão. Foi professor titular da cadeira de Filosofia Moral e História da Filosofia na Universidade dos Estudos de Parma. Transferiu-se à Universidade Católica de Milão, onde lecionou História da Filosofia Antiga e fundou o Centro de Pesquisas de Metafísica. Dentre os vários livros que escreveu, publicou no Brasil por Edições Loyola: Metafísica de Aristóteles (em três volumes), Para uma Nova Interpretação de Platão e Saber dos antigos - terapia para os tempos atuais.

    26 Livros
    32 Seguidores

    Giovanni Reale