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    Memórias e Aventuras - Autobiografia de Sir Arthur Conan Doyle

    Sir Arthur Conan Doyle, Sir Arthur Conan Doyle

    Marco Zero
    1993
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9788527901499
    Português Brasileiro
    3.9
    7 avaliações
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    "Tenho levado uma vida que, em matéria de variedade e aventuras, parece-me difícil de superar. Fui um homem pobre e também fui um homem razoavelmente rico. Vivenciei todo tipo de experiência humana. Conheci muitos dos homens mais notáveis do nosso tempo. Tive uma longa carreira literária, depois de ter estudado medicina e me formado em Edimburgo. Tentei a sorte em muitíssimos esportes, entre eles o boxe, o críquete, o bilhar, o automobilismo, o futebol, a avaliação e o esqui, e fui o primeiro a utilizar este último em longos percursos na Suíça. Como médico de um navio baleeiro, fiz uma viagem de sete meses ao Ártico e, posteriormente, à costa ocidental da África. Participei um pouco de três guerras - a sudanesa, a sul-africana e a alemã. Minha vida tem sido pontuada de aventuras de topo o tipo. Finalmente, senti a obrigação de dedicar meus últimos anos à divulgação dos resultados finais de trinta e seis anos de estudos esotéricos, no esforço para fazer com que o mundo perceba a importância extrema dessa questão. No cumprimento desta missão, já viajei mais de 50.000 milhas e falei para 300.000 pessoas, além de ter escrito sete livros sobre o assunto. É essa a vida que narro, de forma bastante detalhada, em minhas Memórias e Aventuras."

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    Filipe Quevedo21/08/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Sir Arthur Conan Doyle: vida e obra

    Memórias e aventuras, autobiografia de Sir Arthur Conan Doyle, me possibilitou conhecer mais intimamente um dos autores(as) que mais li até hoje. O autor relata sua vida humilde nas suas primeiras décadas; o começo de seus estudos em Medicina; a aventureira viagem ao Ártico como médico de bordo em um navio baleeiro; as cartas pitorescas recebidas de leitores espalhados pelo mundo; suas incursões pelo mundo esportivo; suas participações em Guerras; seus estudos e produções acerca do Espiritismo; seus encontros com grandes personalidades do período, como Oscar Wilde, Rudyard Kipling, J M Barrie, Bernard Shaw, H G Wells, entre outros. Aborda, claro, o início discreto de sua carreira literária. Confessa determinado ressentimento pois, segundo ele, Holmes acabou eclipsando outras obras, <i>"[...]creio que, se eu nunca tivesse inventado Holmes, que tende a ofuscar minhas obras mais ambiciosas, minha posição na literatura hoje seria mais respeitada."</i> sobretudo alguns livros de cunho histórico que resultaram de árduo trabalho de pesquisa. Sobre estes ele diz: <i>"alcançaram o objetivo a que me propunha, ao traçarem um retrato fiel daquela época gloriosa, e que juntos constituem o que já fiz de mais completo, gratificante e ambicioso."</i> (No trecho recém citado ele está se referindo aos livros A companhia branca e A Narrativa de Miquéias Clarke. Achei ambos aqui no skoob. Ao longo do livro ele menciona outras obras suas de teor histórico.) Homem atento, relata como percebeu uma lacuna nos formatos das publicações em voga na época, o que o levou a popularizar os contos de Holmes: <i>"Examinando aqueles periódicos com suas histórias desconexas, ocorreu-me que um folhetim centrado num mesmo personagem poderia prender o leitor à revista[...]. Por outro lado, o folhetim comum podia ser antes prejudicial do que benéfico para a revista, pois, mais cedo ou mais tarde o leitor perdia um exemplar, daí em diante desinteressando-se de vez. Era evidente que o meio-termo ideal estava num personagem unificador, que percorresse todos os episódios, mas episódios que fossem completos em si mesmos{...]"</i> Revela também "segredos" interessantes sobre o processo de escrita das histórias de Sherlock: <i>"Com frequência me é perguntado se, antes de escrever uma história de Holmes, eu já sabia como terminaria. É claro que sabia. É impossível traçarmos um rumo se não sabemos o nosso destino. O primeiro passo é formular a ideia. Tendo desenvolvido a ideia central, a tarefa seguinte é escondê-la e dar ênfase a tudo aquilo que permite uma outra explicação. Holmes, entretanto, é capaz de perceber as falácias das alternativas e assim, de forma mais ou menos dramática, chegar à verdadeira solução, passando por etapas que ele sabe descrever e justificar."</i> Sobre a profissão de escritor: <i>"A primeira regra é se fazer entender. A segunda, ser interessante. A terceira, ser inteligente."</i> E: <i>"Quem pensa com precisão descreve com precisão aquilo que pensa, e pensamentos confusos geram parágrafos obscuros."</i> Segundo ele: <i>"Sir Nigel representa, na minha opinião, o ponto mais alto de minha obra[...]"</i> Referindo-se suas obras teatrais: <i>"Não existe prazer mais sutil, quando se está plenamente satisfeito com o próprio trabalho, do que se sentar na penumbra de um camarote e assistir não à peça, mas à plateia."</i> Quanto sua crença profunda no espiritismo: <i>"[...]posso dizer, resumidamente, que não há um único sentido físico meu que não tenha recebido prova a ele pertinente; e que não existe método concebível, pelo qual um espírito possa evidenciar sua presença, que eu não tenha muitas vezes experimentado."</i> Não posso deixar de falar sobre essa parte importante da vida do autor: sua dedicação intensa ao estudo do Espiritismo. Ele dedicou anos aos estudos deste campo, participou de associações e inúmeras sessões onde, segundo seu testemunho, conversou com sua mãe, seu filho, seu irmão e outras pessoas já falecidas. Conan Doyle passou anos viajando pelo mundo palestrando sobre o assunto. Escreveu e publicou livros sobre seus estudos e estas suas viagens. Este livro, embora pequeno, tem tanto conteúdo que muita coisa sequer citei. Devo salientar também que é um pouco irregular, isto é, oscila entre bons e não tão bons momentos, a depender do interesse do leitor(a) por cada assunto. Bem, concluindo, gostei de escrever esse texto, seja por gostar de escrever em parceria com o autor, como fiz em outras ocasiões, seja por dar a essa autobiografia sua primeira resenha.

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    Arthur Ignatius Conan Doyle

    Foi um escritor e médico britânico, mundialmente famoso por suas 60 histórias sobre o detetive Sherlock Holmes, consideradas uma grande inovação no campo da literatura criminal. Foi um escritor prolífico cujos trabalhos incluem histórias de ficção científica, novelas históricas, peças e romances, poesias e obras de não-ficção. Arthur Conan Doyle viveu e escreveu parte de suas obras em Southsea, um bairro elegante de Portsmouth.

    357 Livros
    3.711 Seguidores

    Arthur Ignatius Conan Doyle