Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas4
    • Leitores183
    • Similares3
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Sombras marcadas -

    Kamila Shamsie

    Alfaguara
    2011
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788579620720
    Português Brasileiro
    3.8
    34 avaliações
    Leram51Lendo3Querem128Relendo0Abandonos1Resenhas4
    Favoritos4Desejados128Avaliaram34

    A história começa em Nagasaki, no ano de 1945. A jovem Hiroko está na varanda de sua casa quando, em uma fração de segundo, "o mundo embranquece". A explosão nuclear leva sua família e seu noivo, Konrad. Ela escapa por pouco; mas levará consigo - tanto no corpo quanto na memória - as marcas da catástrofe. Em busca de um recomeço, Hiroko viaja à Índia, onde passa a viver com Elizabeth, meia-irmã de Konrad. Em meio aos conflitos políticos de um país prestes a ser dividido, ela redescobre o amor ao conhecer Sajjad, um dos empregados da família. Hiroko e Sajjad mudam-se para o recém-formado Paquistão. Seu destino volta a se cruzar com a família de Konrad ao receberem a visita de Harry, filho de Elizabeth, um cidadão americano que trabalha para a CIA. Na esteira dos atentados de 11 de setembro, no entanto, a relação de amor e confiança entre eles, até então sólida, se verá no limite da ruptura. Autora de quatro romances, Shamsie, 38 anos, conta que a decisão de escrever um épico e desenvolver a narrativa em quatro países tão distintos (Japão, Índia, Paquistão e Estados Unidos) não era sua intenção quando começou a escrever Sombras marcadas. "Minha ideia inicial era escrever sobre um personagem paquistanês, cuja avó havia sido vítima da bomba atômica de Nagasaki, vivendo anos depois na época em que Índia e Paquistão testavam suas bombas nucleares e se dividiam. Mas, quando percebi, estava escrevendo a história daquela avó japonesa. E decidi segui-la para ver aonde ia dar.", conta a autora. Segundo Shamsie, escrever sobre Nagasaki foi um grande desafio: "Eu comecei sem a menor certeza de que seria capaz de imaginar de forma vívida o suficiente aquele tempo e lugar a ponto de convencer a mim mesma." Para descrição do ambiente de guerra e do dia da bomba, ela considera terem sido fundamentais leituras como Hiroshima, de John Hersey, e filmes como a animação O túmulo dos pirilampos, de 1988. "Essas obras me ajudaram a visualizar detalhes como roupas, interiores, enfim, detalhes do modo de viver nos tempos de guerra. Também mergulhei na internet, interessada em imagens pré-bomba que pudessem me ajudar a pintar o quadro do mundo no qual meus personagens viveriam.", conta ela. Shamshie, que ambienta a parte final do livro na época do 11 de Setembro, se aborrece com a ideia de que pegou carona na onda de publicações pós-atentado. "Quando contei a um amigo escritor que estava escrevendo sobre Nagasaki, ele fez essa insinuação e fiquei chateada.". A escritora conta que, ao chegar à metade do livro, percebeu que não podia encerrá-lo em 1988, com a questão nuclear entre Índia e Paquistão, mas continuar como uma narrativa de "guerra ao terror". "Existem milhares de livros sobre o 11 de Setembro e os efeitos dele na vida dos nova-iorquinos. O que me interessava mostrar é o alto custo dos atos de barbárie humana cometidos por governos legitimados pelo povo, como a bomba de Nagasaki, as ações dos Estados Unidos, Rússia e Paquistão no Afeganistão dos anos 80 e a própria 'guerra ao terror'.", reflete a autora, ela mesma nascida no Paquistão e radicada na Inglaterra. Para a autora, a grande diferença desses atos para o atentado de 2001 é que eles foram provocados por governos legitimados em nome da autodefesa. "E não me espantaria saber que muita gente ainda acha que foram decisões corretas", conclui Shamsie, que também vê várias semelhanças entre os cenários pós-Nagasaki e o da Nova York pós-atentado. "Os pontos de ônibus e estações de trem cobertos com cartazes de famílias procurando seus desaparecidos é uma delas. O cheiro de fumaça que se prolongou através do tempo também", compara.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (4)Ver mais
    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo17/06/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A tirania das forças destrutivas

    Cinco países, duas famílias e um recorte que abrange mais de meio século do sofrimento humano. Todos esses são elementos que compõem o ambicioso romance da escritora britânica de origem paquistanesa Kamila Shamsie. A tarefa não era fácil. A tentativa de discutir as consequências de uma violência que não encontra mais barreiras espaciais e temporais em um mundo globalizado é tentadora e, mais do que isso, desafiadora. Depois dos ataques de 11 de setembro, a opinião pública estadunidense abraçou, em sua maioria, a caça às bruxas proposta pela política do governo Bush, condenando todo e qualquer muçulmano como extremista e fanático - o que é de uma profunda irresponsabilidade. "Sombras marcadas" é um livro que aborda essa relação intrínseca que todos nós carregamos desde o nascimento entre identidade e nação e põe sob perspectiva um mundo cada vez mais globalizado. Com esse objetivo, Kamila vai além e sintetiza - ou pelo menos tenta sintetizar - em Hiroko Tanaka, personagem que os leitores acompanham do começo ao fim do romance, as agruras que a humanidade sofre em meio às tensões políticas, étnicas e sociais das guerras que marcaram o século XX e o início do XXI. É com ela que a autora impõe as diferenças emocionais, psicológicas e culturais de um mundo em constante usurpação de identidade. Por ser um romance que transita entre lugares, línguas e culturas, "Sombras marcadas" toca em temas pertinentes do mundo contemporâneo: aculturação, igualdade racial e diversidade cultural são alguns dos mais gritantes ao longo da narrativa. Seja na bomba nuclear estadunidense lançada em Nagasaki em 1945, na dissolução do Raj britânico seguido da partição da Índia e a consequente autonomia do Paquistão em 1947, na interferência político-armamentista dos EUA na guerra afegã contra a União Soviética no final década de 1970 que se estende pelos anos 1980 ou no mundo após os atentados terroristas em 2001, fica claro que a tolerância perdeu lugar entre os valores essenciais de uma diplomacia. Assim como García Márquez, Kamila apresenta uma história geracional. É através dos constantes cruzamentos entre os Ashraf-Tanaka e os Weiss-Burton que acompanhamos a desilusão permanente da História, a que possui o “H” maiúsculo. Sentimos, assim como Hiroko, a falta de reciprocidade do outro, daquele que é diferente de nós, e a ausência constante de pertencimento ao viver em uma aldeia global, conceito de Marshall McLuhan, estudioso canadense da comunicação, que cabe muito bem ao livro. Com coincidências incômodas que servem para dar andamento à narrativa e alguns desenvolvimentos superficiais (caso das empresas militares privadas, que não me envolveram), Kamila Shamsie mostra em seu quinto romance - único dela publicado no Brasil até este ano - que a tirania das forças destrutivas do tempo são implacáveis, mas não invencíveis. Um longo e bom livro que deixa a sensação de um épico inacabado, imperfeito. No entanto, lembre-se: Kamila tem algo a dizer que talvez você tenha que escutar.

    73 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 34
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas0%
    Kamila Shamsie profile picture

    Kamila Shamsie

    Kamila Shamsie é autora de seis romances, dentre os quais <i>Sombras marcadas</i>, finalista do Prêmio Orange, e publicado no Brasil pela editora Alfaguara. <i>Lar em chamas</i> (cujo título original em inglês é <i>Home fire</i>) foi selecionado para o Man Booker Prize 2017, para o DSC Prêmio South Asian Literature e venceu o Women's Prize for Fiction 2018. Três de seus romances receberam prêmios da Academia Paquistanesa de Literatura. Membro da Royal Society of Literature, a autora foi escolhida como uma das melhores jovens romancistas da Inglaterra pela revista Granta (2013). Kamila Shamsie nasceu em Karachi, no Paquistão, em 1973, cidade onde cresceu. Atualmente mora em Londres.

    12 Livros
    2 Seguidores

    Kamila Shamsie