Livro de contos e crônicas Diz o autor: ...Não me qualifico como escritor. Tampouco como poeta, dramaturgo, muito menos ensaísta ou coisas que os valham. Sou um contador de histórias. Tivesse eu o dom da oratória, possivelmente me aventurasse a contá-las ao pé d’ouvido de um microfone que as propagasse à platéia que se dispusesse a ouvi-las. Mas esse dom não me foi concedido. Então, por necessidade, coube-me apelar à palavra escrita. Esta não foge do papel. É memória definitiva. Fiz-me valer disso para contar minhas histórias. Em verso, prosa, drama ou comédia. Leve-se em conta ainda que eu não sei dessas coisas de ninar gente grande. Parto pro escracho, faço chorar ou esparramo a morte derrubando personagens pelos quatro cantos dos contos. É assim: Oito ou oitenta... Alguns trechos do livro: Notou-lhe os cabelos pretos tingidos com tinta da Barbearia Paratodos do Brás. A gordura excedia o tamanho da camisa, escapando pelos vãos entre os botões. Entraram na sala. O odor de cigarros que exalava de sua boca enquanto falava estava impregnado em cada centímetro do recinto decorado por armas antigas. Sentiu nojo da mão, do cheiro, dos dentes amarelados que sorriam incessantemente um sorriso tosco e em desalinho. (trecho do conto Roberto - o tímido) *** Permite-se que no peitoril se coloque um pequeno vaso com um girassol, onde, nas tardes mais lindas de primavera e nas manhãs mais frias de inverno, ao seu lado há de se debruçar uma donzela de olhos negros e cabelo caheados. (trecho da crônica A janela) *** Maricota parou. Olhou o pai e todos os presentes ouviram alto e em bom tom quando ela falou: - Filho da puta! Desgraçado! Em seguida, virou-se e saiu com a mesma calma com que entrara. (trecho do conto O casamento de Maricota) *** Esse homem me faria conhecer o horror. Durante doze dias, ele me submeteria às mais vis situações de dor e humilhação, para que eu confessasse algo que não sabia sequer do que se tratava. Queria o nome do meu comandante, queria saber onde ficava o nosso aparelho. Queria nomes. (trecho do conto O Juiz) *** Não é dado o direito, nem a mim nem a ninguém, a nenhum dos deuses mortais, do atrevimento de soprar e apagar as velas dos velhos castiçais. Não. O tempo consome a vela. Entre seitas, dogmas e parábolas, algum dia, um ancião, venerado entre os deuses, arrastará sua cadeira, riscando o assoalho com um rangido estridente, para sentar-se, escrever suas últimas palavras num velho e tosco caderno amarelado... (trecho da crônica Palavras ao vento) *** No caso de Dirce, o parto se dera numa sexta-feira por volta de dez da noite. A casa estava movimentada e os clientes, nem imaginavam que dentro daquele quarto de número 06 acontecia um parto normal...(trecho do conto O filho da puta conto premiado pelo Projeto Palavra em Prisma da Secretaria de Cultura de Guarulhos em 2005). *** Nesta edição mais obras premiadas: Uma vida no meio do caminho - 2005 Palavras ao Vento - 2008, e ainda: Roberto, o tímido / O casamento de Maricota / A morte do corcunda / Uma verdade com tom de mentira / Um ligeiro engano / Os pássaros /A fada e o dente de leite / Pequeno lapso de tempo que nos fez imperfeitos / Um ligeiro engano / Estar desempregado não é nada / O gênio da internet / Palavras ao vento / O Juiz / Galinaciocida / Fazer o quê? / A pedra e a vidraça / Bandidos e Pedro e Ana Elisa / Di menó /A Janela Compre em www.leguarulhos.com.br
