Boa parte das cenas desse romance se passa em Paris. Mas nossos protagonistas, Jean Pierre e Jerôme, conduzem-nos também a flanar pelas ruas de outras cidades. Nova York, Buenos Aires, La Paz e Rio de Janeiro cruzam-se, como na construção de um mosaico, de um espaço ideal, para um flanêur que evoca nitidamente a figura surgida com Baudelaire no século XIX. Quais seriam os pontos em comum de tais protagonistas com o flanêur baudelairiano? Ainda temos, aqui, o homem hesitante entre o fascínio e temor diante das n.... cenas urbanas, encantado e intimidado com os personagens misteriosos que aparecem e desaparecem sem deixar vestígios no meio da multidão. Mas a flanerie se expandiu, em primeiro lugar, pelo entrecruzamento das cidades, que se revelam simultaneamente singulares e idênticas, com suas mortes e conspirações. O que aproxima e distingue as cidades pelas quais Jean Pierre e Jerôme se deslocam? Em meio à violência das urbes atuais, a multidão já não é mais um refúgio para esse flâneur dos chamados tempos pós-modernos e os impasses se multiplicam. Surge, assim, uma nova figura do flâneur, que perambula por múltiplos espaços, geográficos e virtuais, como um observador anônimo em constante deslocamento. A literatura, com seus escritores, personagens e projetos, torna-se, aqui, um grande espaço de flânerie e sempre do sonho. Pelas ruas do texto de Lodd, seremos conduzidos a reconstruir o olhar hesitante do flâneur, dividido entre o horror e o encantamento, entre o pesadelo e o sonho.
De escritores, fantasmas e mortos -
Paul Lodd
Livre Expressão
2010
160 páginas
5h 20m
ISBN-13: 9788579840833
Português Brasileiro
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