O ALIENISTA E OUTROS CONTOS -

    Machado de Assis

    Círculo do Livro
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    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-10: 8533206070
    Português Brasileiro

    Apresentação Ao ressuscitar o defunto Brás Cubas para contar sua vida, com muito cinismo e completa indiferença moral, Machado de Assis assinalou um novo tempo para a literatura brasileira. Sepultou o romântico maniqueísta e deu à luz um outro tipo de ser: auto-indulgente e cultuador das exterioridades majestosas e fúteis da convivência social, enfim, uma criatura vista sem as lentes dos ideais da perfeição. Memórias póstumas de Brás Cubas, lançado em 1881, trouxe esse tipo de herói, divorciado dos caminhos ditados por ROusseau, que apologizava o "homem bom", marcando, então, o início do realismo no Brasil. É essa a temática principal machadiana: descasar o homem de sua suposta e pretendida unidade psicológica e revela-lo na sua multiplicidade antagônica de desejos e ambições. Resvalam sempre nessa dubiedade de caráter as suas personagens, a quem servem perfeitamente falas como "Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nama menos". Ou aida indagações sobre os segredos de alma que moviam Capitu, com seus "olhos de cigana oblíqua e dissimulada", de quem não se pode afirmar um adultério praticado, nem ao menos inocenta-la pelas provas de seu caráter. Visando ao homem enquanto essência, e não apenas ao brasileiro típico, as personagens machadianas tornam-se acrônicas e atópicas, universalisando-se. A literatura brasileira, com isso, também ganha dimensões universais. Mas de Machado de Assis não se fala apenas enquanto romancista; ele foi também teatrólogo, poeta, crítico, jornalista e contista. Este livro é sobre o contista. Embora seja árdua a tarefa de selecionar seus melhores contos, esta obra mostra trinta e quatro de seus mais representativos trabalhos. Seus contos alinham-se com perfeição ao lado de seus melhores romances. Neles, Machado de Assis segue a mesma linha de implacabilidade em relação à natureza humana, não buscndo a unicidade do ser, visto apenas através de um foco que lhe empresta grandiosidade e alma, mas procurando revela-lo em todas as suas verdades. Em "O Espelho", por exemplo, ele desenvolve a teoria das duas almas humanas: a interior, que traria a essência do indivíduo; e a exterior, que impulsionaria suas reações. Em "Teoria do Medalhão", ele dá uma lição sobre a arte de representar, de pôr em relevo a própria pessoa. Proclama a arte do parecer e não do ser. "O Enfermeiro" é um conto que traz uma moralidade materialista, na qual os bens terrenos superam qualquer preceito da moral espiritual, significando, inclusive, redenção dos pecados. A ambição do homem não tem limites. Machado de Assis, que nasceu humilde e lutou pela ascensão social, procura legitima-la. O escritor foi completamente avesso ao culto da ciência, que reinava absoluta na época em que viveu. "O Alienista" focaliza, por exemplo, um médico que instaura impiedosamente a ditadura da ciência com um feroz autoritarismo. "Conto Alexandrino" fala da íntima relação entre a prática da ciência e a mais fria impassibilidade perante a dor alheia. Os contos aqui selecionados não se limitam a essas insondáveis mazelas humanas. Eles viajam também pelo belo e sensual. Que riqueza estética é trazida pelo conto "Uns Braços", onde o desejo impera através de um símbolo: os braços de dona Severina! Que sensações atravessavam o peito de dona Conceição, naquela véspera de Natal, no conto "Missa do Galo"! A obra de Machado de Assis apresenta uma tentativa de libertar o homem das mentiras que o aprisionam e lhe conferem uma falsa imagem. Os instintos naturais, negados pela sociedade, são incompatíveis com o natural desejo do indivíduo de ser aceito pelo seu meio: daí ele conhecer as regras sociais e vesti-las por completo, fazendo o jogo daquilo que se é e do que se parece ser. Que o leitor descubra a riqueza desta obra, onde cada linha é deliciosamente saboreada. Heraldina A. Silva

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    Bruno Mathias Santos19/03/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Leitura Fantástica!

    Livro imprescindível para aqueles que querem compreender o processo histórico da loucura no Brasil. Extremamente atual e nos recorda que sempre temos que lutar pela luta antimanicomial, pois esta logica psiquiatrica que vemos no conto foi a responsável por excluir da sociedade todos aqueles que eram diferentes, para proteger um ideal do que era "normal". Mas o que é ser normal? E quem pode dizer o que é e o que não é normal? Mas enfim, livro aborda um tema muito extenso mas que é extremamente importante na atualidade.

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