Tem livros que eu dou 5 estrelas mesmo sabendo que tecnicamente não são perfeitos, e que talvez merecessem menos, só porque eu gostei muito. No caso desse livro é o contrário, acho que ele merece bem mais do que eu dei, mas decidi avaliar a partir da minha experiência.
Normalmente espero até a página 100 de um livro pra ver como me sinto sobre ele, pra deixar ele me cativar e me apresentar o mundo e a história o suficiente pra eu querer continuar lendo. Foi só lá pelos 40% do livro nesse caso que ele despertou mesmo meu interesse, e ainda assim lá pelos 80% eu estava determinado a terminar ele só porque já tinha chegado até aqui. O livro não é ruim, mas me parece muito intelectualizado. Eu esperava mais ação, e menos falar sobre os planos. Além disso parece que o autor aproveita toda oportunidade possível pra descrever o mundo que ele criou, como se fizesse um jogo de "tá, agora que eu já contei mais um pouco do plot, deixa eu te contar mais um pouco desse mundo legal que eu criei". Ele faz interlúdios constantes, devem ter tido mais de 10, e apesar de eles eventualmente se costurarem na história, não deixa de ser enfadonho.
A história é legal, mas eu gostaria que ela tivesse sido apresentada de outra maneira. É difícil engajar no plot quando tu não sabe onde que o autor pretende ir em seguida, é difícil de torcer pelos personagens se tu não faz muita ideia do que eles sequer pretendem. Entendo que isso é o propósito do livro, sendo um grupo de ladrões espertos que enganam as pessoas e mentem pra elas, o autor queria dar ao leitor essa sensação de ser enganado também, mas no fim das contas só fez com que eu não me importasse tanto quanto poderia. No fim das contas olhando pra trás a história foi boa, mas a experiência de ler o livro foi cansativa, não pretendo ler os próximos.
Ponto positivo é que os personagens são muito bem desenvolvidos e cativantes. Todos eles parecem pessoas reais e os diálogos são definitivamente o ponto alto do livro.
Ah e outra coisa que me frustrou é que eu li em vários lugares que o protagonista é "sobrenaturalmente" bom no que faz e se sugere que ele talvez tenha poderes mágicos, inclusive no início do livro. E não, ele não tem. Pelo menos não nesse volume.