O objetivo do autor é propor uma teologia evolucionista, vista como “uma reinterpretação radical dos ensinamentos religiosos clássicos em termos dos conceitos darwinianos”(p.51). Depois de mapear as posições religiosas cristãs frente à teoria evolucionista (oposição, separatismo e engajamento), o autor afirma que sua proposta se atrela a uma forma de engajamento, pois acredita que “a história da vida, mesmo na sua apresentação neodarwiniana, fornece conceitos essenciais para se pensar em Deus e na sua relação com a natureza e a humanidade”. (p.55). Os conceitos religiosos cristãos, como criação, escatologia, revelação, amor divino ou graça divina, poder divino e redenção foram afetados diretamente com a visão de Darwin. O autor, depois de discutir as posições de vários teólogos, dentre eles os mais céticos e os mais crentes acerca da relação evolução/princípios religiosos, reconhece que é necessário estabelecer uma renovação no pensamento cristão. Conclui que “uma estrutura teológica aberta à evolução cósmica e biológica é plenamente capaz de acomodar o senso religioso de uma realidade última, que assumimos ser a criadora da natureza, com seus graus de importância diferenciados.”(p.224). Associando a compreensão de evolução da natureza com o sentido de Deus como futuro do mundo, acrescenta que “um mundo em evolução não segue um plano rígido, mas vê surgir o ser, o valor e o significado por meio da visão que Deus tem dele. O Deus da evolução não determina as coisas de antemão, nem acumula egoisticamente a alegria de criar. O Deus da evolução participa da abertura de todas as criaturas para um futuro indeterminado”. (p.227).