Jardim Brasil: conto, já no seu título, polissêmico, voltando as setas para muitas direções, promove uma espécie de releitura da viagem de Pero Vaz. Nesse sentido, é um romance histórico. Ele não se constrói, no entanto, a partir de uma ordem previsível. Se algo se delineia em sua narrativa e remete para a experiência atual, são ruínas — pessoais, sociais, culturais; referências; ambiguidades. A paisagem urbana aponta para a modernidade cosmopolita. O enredo se arma com a simplicidade de uma narrativa policial. Mas a crônica a que procede vale-se dos critérios da metáfora. Por isso, o concreto desliza para o abstrato, o mundo dentro do mundo dentro do mundo, não importando o nome. Terminada a aventura (pois falamos de existir), com a impressão de esgotamento, temos a vontade de um dos seus personagens: acertar um sapato na História. O leitor sairá deste universo com o sentimento de que chegou perto, para se considerar atingido, e ficou longe, para continuar com seus projetos. Talvez haja antevisto a hora de furar o bloqueio das imagens (são elas, não é mesmo? que insinuam o presente) e verificar os valores, não pelo desejo, a despeito de sua exuberância encantadora: pela sensibilidade. Seria preciso, contudo, recomeçar, e esta é a seta do círculo que se fecha.
Jardim Brasil: Conto -
Ronaldo Lima Lins
Record
1997
272 páginas
9h 4m
ISBN-10: 8501047732
Português Brasileiro
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