"Estas páginas não se dirigem às multidões. Visam tão somente um escol de pensadores, de espíritos inteligentes, de homens que tenham problemas a resolver. A imensa maioria dos homens do nosso século não se preocupa com problemas do espírito. Comem, bebem, gozam, jogam foot-ball, ouvem rádio, frequentam salões, casinos e praias: casam, criam filhos, fazem negócios - e estão plenamente satisfeitos consigo e com todo mundo. Vivem e morrem - e deixam o mundo quase tão pobres de espírito como nele entraram. Não é à esses homens sem problemas e dolorosos enigmas que se dirige o presente opusculo. Estas páginas foram escritas para espíritos pensantes, para almas inquietas, para inteligências revolucionadas por alguma ideia sublime ou absurda, para seres racionais feridos pelo tormento do Infinito, pelo mistério da Divindade, pelas tenebrosas esfinges do próprio Eu... É nessas incógnitas regiões que estas páginas pretendem penetrar, ainda que às apalpadelas, porque essas regiões veem envoltas em trevas ou penumbras..."

