A cultura compreende um vasto sistema metabólico de relações entre indivíduos, sociedade, cosmo. No tempo, passou a ser concebida como oposta à natureza, resíduo psicoafetivo, expressão de sensibilidade, algo exclusivo das humanidades, sinônimo de refinamento artístico-literário. [...] Exercício estranho e contundente de conexão de saberes e interdependência de noções, afirma a autora, os almanaqueiros deixam de lado querelas conceituais e acadêmicas para mergulharem a fundo no espírito do tempo. Profetas da modernidade líquida dos tempos atuais, empenham-se em totalizar experiências, registrar prognósticos, prever encantamentos, vislumbrar utopias. Os Almanques Armorial do Nordeste e Armorial Brasileiros são exemplos disso. Como sempre, Ariano Suassuna aposta radicalmente na arte total, posta em ação pelas ordens e desordens de uma razão aberta, pluralista e democrática. Como Cida Nogueira deixa claro, os Armoriais são libelos de esperanças, delírios e paixões pela vida. Com José Costa Leite, almanaqueiro versado nas premonições astrológicas, caem definitivamente por terra as fronteiras entre o erudito e o popular. Suas ponderações reforçam a ideia do homem genérico, para quem a separação natureza e cultura não tem qualquer valor. Repletos de intuições e devaneios sensíveis e afetivos, os conhecimentos exibidos nos almanques liberam a imaginação criadora, constituem uma ciência primeira a ser compreendida e absorvida por todos sem preconceitos ou ressentimentos. [...] Os almanques repõem a grande narrativa da vida. Com eles, revela-se uma multiplicidade de tempos e espaços: o tempo reversível e circular dos mitos, o irreversível da entropia e da evolução; o micro-espaço local do aqui e agora, o macro-espaço global da incandescência do mundo. Juntos e entrecruzados, cabe reinventá-los a cada dia, na vida e nas ideias, na ética e na política, para que, a todo momento, nós, humanos, não nos esqueçamos mais de nossa própria sociedade-mundo, de nossos corpos, sofrimentos, identidades e utopias. Edgar de Assis Carvalho
Almanaque - Toda oficina da vida
Maria Aparecida Lopes Nogueira
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Maria Aparecida Lopes Nogueira
Possui graduação em Psicologia - Institutos Paraibanos de Educação Instituto de Psicologia (1979), mestrado em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (1994), doutorado em Ciências Sociais (área de concentração: Antropologia) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000) e pós-doutorado em Ciências Sociais (área de concentração: Antropologia) pela PUC/SP (2006). Atualmente é professora da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: novas epistemologias na antropologia, imaginário, complexidade, antropologia das ciências e das técnicas, cultura, saberes e práticas da tradição e ariano suassuna. Última atualização do currículo em 25/10/2011 Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/9113655075370877 http://complexidade.ning.com/profile/MariaAparecidaLopesNogueira