Fui apresentada ao autor angolano Pepetela por um amigo e decidi fazer de A Montanha da Água Lilás meu primeiro contato com sua escrita. E que bom que não me arrependi.
A Montanha da Água Lilás é uma primorosa fábula alegórica que utiliza esse recurso narrativo para retratar o processo de exploração econômica e as relações comerciais assimétricas do continente africano.
Usando simbolismos, Pepetela cria uma história sobre uma sociedade fictícia, os Lupis, que vivem em uma montanha isolada e, ao descobrirem um recurso precioso, veem sua comunidade, seus costumes e suas crenças se transformarem, tanto pelas influências externas quanto pelas tensões internas que começam a surgir, de modo irreversível.
Fazer a leitura dessa fábula tão rica em significados, que abarca temas muito caros ao autor e tão reconhecíveis na história da sociedade angolana e de vários países africanos que foram explorados e continuam enriquecendo nações estrangeiras, foi ao mesmo tempo cativante e instrutivo. Pepetela escreve com um tom cheio de simbolismo que desperta reflexões. Foi impossível para mim não começar a pensar na situação de profunda exploração em que vivem vários países da África. É bem triste pensar que a exploração de seus recursos naturais raramente traz benefícios para seu próprio povo.
No fim, esse foi um livro curto, escrito de forma lúdica, mas cheio de significados que expressam bem a crítica social que Pepetela faz e que eu adorei conhecer. Também foi gratificante encontrar uma fábula tão bem escrita, que me deixou presa e entretida com a leitura, me fazendo ler o livro todo em um único fôlego.