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    Marionetas Cósmicas - Coleção FC nº 201

    Philip K. Dick

    Europa-América
    1993
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9789721036628
    Português
    3.2
    6 avaliações
    Leram8Lendo0Querem16Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados16Avaliaram6

    Tradução de "The Cosmic Puppets", 1957. Cedendo a uma compulsão que não pode explicar, Ted Barton interrompe suas férias para visitar a cidade de seu nascimento, Millgate, Virgínia. Mas ao entrar no sono, lugarejo pouco isolado, Ted fica perturbado ao descobrir que o local não tem qualquer semelhança com o que ele deixou para trás. Ele também descobre que, neste Ted Millgate Barton morreu de escarlatina, quando tinha nove anos de idade. Talvez ainda mais preocupante é o fato de que é literalmente impossível escapar. Incapaz de sair, Ted se esforça para encontrar a razão para tais incongruências perturbador, mas em pouco tempo, ele se vê no meio de uma luta entre o bem eo mal que se estende muito além dos confins do vale.

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes16/12/2025Resenhou um livro

    Marionetes Cósmicas

    Em dezembro de 1956, na edição de dezembro da revista Satellite Science Fiction, Philip K. Dick — então com 28 anos — publica o conto “A Glass of Darkness”. No ano seguinte, a editora Ace Books lança a versão expandida desse conto sob o título “The Cosmic Puppets”. Sua premissa é digna dos roteiros do seriado The Twilight Zone (que estreia apenas em 1959, é bom dizer!): Ted Burton decide — por um impulso inicialmente inexplicável — visitar sua cidade natal, a isolada Millgate. Porém, ao chegar à cidade, Ted percebe que há algo errado: o lugar está completamente diferente. Os estabelecimentos que conhecia não existem mais, sequer os nomes das ruas são os mesmos. Ao indagar os moradores, a maioria diz que morou ali a vida inteira e não reconhece nada do que Burton relata de suas memórias de infância. Teria ele perdido a sanidade? Seu passado era uma mentira? É isso que Ted passa a investigar, mas ele logo percebe que algo maior está acontecendo naquele lugar, algo além da compreensão humana. “Marionetas Cósmicas” não se trata de ficção científica no sentido tradicional. Trata-se de uma das primeiras obras de K. Dick, um romance pulp de cunho místico e que traz reflexos fortíssimos do terror cósmico de H. P. Lovecraft. Essa estética faz deste livro uma obra única dentro da bibliografia do autor. Vale lembrar também que este livro é uma espécie de “proto-VALIS”. Muitos conceitos utilizados aqui — como a realidade como ilusão, a existência de seres cósmicos, a presença de uma “escolhida” que existe dentro da ilusão para despertar as pessoas — voltam à tona em 1974, quando Philip tem sua revelação, culminando no lançamento do grandioso “VALIS”, em 1981, que tem um teor místico ainda maior, mas com mais características da ficção científica que deixou o autor famoso. É realmente impressionante como um livro com menos de 120 páginas possa ser tão denso. PKD se vale do zoroastrismo para criar a mitologia da sua história — Ormazd, Armaiti e Ahriman são divindades dessa religião antiga e, em “Marionetas Cósmicas”, são os protagonistas de uma colossal batalha cósmica que se reflete na pequena Millgate. O conceito de entender primeiro o micro para poder entender o macro se faz muito presente aqui. Também há um subtexto interessante neste livro: Ted Burton percebe que é o único em Millgate que pode reverter a ilusão que tomou conta do lugar pelo fato de ser o único a possuir as recordações da cidade antes da mudança. E é através da lembrança que ele rompe o “engodo cósmico”. Ou seja: a única forma de se lutar contra forças tirânicas maiores do que nós é preservar a lembrança do real e, assim, lutar por sua restauração. Conceito poderosíssimo e altamente aplicável ao mundo real! Outra questão importante torna este livro único dentro da obra de K. Dick: a criação de uma personagem feminina forte e bem construída. Quem já leu outros livros do autor sabe que o seu calcanhar de Aquiles sempre foi esse aspecto, mas aqui temos Mary (uma “proto-Sophia” de “VALIS”) que, além de ter um papel essencial na história, ainda é descrita de forma muito bonita — tanto na revelação de sua real identidade quanto quando seu papel na narrativa é finalizado. Acredito que, em decorrência de seus inúmeros casamentos tumultuados, o autor passou a espelhar em suas personagens femininas a sua relação com as ex-esposas, tendo no já citado “VALIS” a sua “reconciliação” com o feminino, digamos assim — o que acaba sendo poético, no sentido de termos um ciclo iniciado em “The Cosmic Puppets” e finalizado em “VALIS”. Vale lembrar que esta edição — a única deste livro lançada em português — foi editada na Coleção FC da editora Europa-América, responsável pela edição de muitas obras de sci-fi por aqui. Essa coleção era a nossa versão das revistas pulp de ficção científica, com suas páginas de papel-jornal e seus formatos de bolso. Apesar do formato simples, foi muito importante para nós, fanáticos pelo estilo. Eu mesmo sou muito grato a ela, mas seria interessante ver uma edição mais trabalhada deste livro sendo lançada, por exemplo, pela editora Aleph. Se você chegou até aqui, é fã de PKD e ainda não leu “The Cosmic Puppets”, vale a caçada: essa pequena novela perdida está à altura das principais obras do autor e funciona tanto como porta de entrada para sua fase mística quanto como tesouro escondido para quem já conhece bem o seu universo. TS: Grateful Dead: American Beauty (1970); From the Mars Hotel (1974); Terrapin Station (1977); Shakedown Street (1978).

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    3.2 / 6
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas17%
    Philip Kindred Dick profile picture

    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick