Leonilson: Use, é lindo, eu garanto -

    Leonilson

    Cosac Naify
    2006
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-10: 8575034804
    Português Brasileiro

    Com desenhos extremamente líricos, verdadeiras crônicas da vida moderna, o cearense Leonilson (1957-1993) ocupou um nicho todo particular na arte brasileira. Este livro reúne desenhos especialmente produzidos, ao longo de vários anos, para a coluna Talk of the town, de Barbara Gancia, no jornal Folha de S. Paulo. O volume conta com ensaio do crítico Ivo Mesquita, além de resumo biográfico.

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    Nanci31/01/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “não ouço, não vejo, não falo. axé”

    “Leonilson – Use, é lindo, eu garanto” foi publicado em 1996, com 2ª edição bilíngue, em 2006 pela Cosac Naify. O livro de capa dura e caprichado projeto gráfico traz 102 desenhos do artista José Leonilson Bezerra Dias, que ilustraram a coluna de comportamento “O ti-ti-ti da cidade”, da jornalista Barbara Gancia, do jornal Folha de S. Paulo. Os desenhos são apresentados em ordem cronológica – na maioria das vezes em tamanho original -, cobrindo o período de março de 1991 a maio de 1993. Além dos desenhos – desacompanhados das crônicas -, encontramos um texto de Barbara Gancia e Ivo Mesquita, biografia do artista, bibliografia e informações sobre o Projeto Leonilson: sociedade criada por amigos e familiares, com a finalidade de preservar seu legado e manter viva sua memória. Por um lado, contemplamos parte da obra de Leonilson livremente, pois não temos acesso aos textos do jornal. Por outro, essas informações são muito valiosas para adentrarmos seu universo cheio de símbolos, sarcasmo e poesia. Apesar de alguns desenhos terem feito mais sentido à época da publicação, como por exemplo, caricaturas de políticos e celebridades, ou eventos específicos na cidade de São Paulo, no início dos anos 1990, ainda são ótimos exemplos da criatividade e distinção de sua obra, no cenário brasileiro contemporâneo. Para quem conhece o eterno caos de São Paulo, o prazer de observar a metrópole pelos olhos sensíveis e críticos de Leonilson é maior. Ivo destaca que os desenhos alcançaram autonomia em relação à transitoriedade do jornal, por meio da particularidade do ponto de vista do artista; também indica que “um sentido de vulnerabilidade permeia a última etapa da obra de Leonilson. A AIDS mudou o rumo da sua vida e marcou sua produção artística, conferindo-lhe uma terminologia final e irredutível.” Barbara, por sua vez, o descreve como um rapaz moreno e tímido, que lhe presenteou com “um desenho de um piano, delineado em nanquim. Do teclado, despontam dois clarões em creiom amarelo e, da caixa de ressonância, um facho em creiom azul. A delicadeza do mimo me desarmou.” Ao contemplar os traços simples de Leonilson, as palavras em letra de forma torta que ele espalha entre seus desenhos e os elementos repetidos em suas criações: pontos cardeais, relógios, coração, globo terrestre etc., concordo com ambos. Leonilson exerce impacto duradouro e tocante sobre seus leitores. Na impossibilidade de reproduzir um dos desenhos aqui, termino com um recorte de sua agenda [não consta deste livro] “- NÃO QUERO SER ARTISTA - NÃO GOSTO DE ESCOVAR OS DENTES - O QUE FAÇO SÃO OBJETOS DE CURIOSIDADE - OBSERVAR E DAR CHANCE A MINHA CURIOSIDADE - ODEIO PEQUENAS GENTILEZAS E COISAS DO “FUNDO DO CORAÇÃO” - NÃO GOSTO DE INSPIRAÇÃO - NÃO QUERO RESOLVER NADA”

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