Sedução e Mistério. Vida e Morte. Maldição e Bem-Aventurança. Em Édipo Claudicante, Antonio Carlos Farjani transforma o conhecido mito numa trama fantástica, urdida pelos deuses, cuja consumação está acima do desejo e da paixão de seus personagens. Nesta concepção fascinante, Édipo não é mais o maldito, homicida e incestuoso, mas o iniciado que se rebela contra os desígnios divinos, ousando conhecer a si mesmo. Muitas surpresas nos esperam a cada página: por vezes, Édipo e a família real tebana não passam de instrumentos nas mãos de um destino inflexível, o que torna cada gesto cometido absolutamente impessoal e inevitável; por outras, vemo-los transcender a natureza humana, assumindo ante nossos olhos a condição de seres divinos, cujos atos pertencem à dimensão do sagrado. A comparação com alguns mitos de outras culturas, incluindo uma surpreendente incursão pela Bíblia, além de excitar-nos a curiosidade e prender-nos ainda mais ao texto, torna-nos mais acessíveis à idéia da universalidade dos mitos. Embora trate da produção mitológica, este não é um livro de mitologia; apesar de algumas referências psicanalíticas, tampouco é um livro de psicanálise, podendo ser lido, devido a sua linguagem clara e fluente, por qualquer pessoa interessada no assunto. Em suma, Édipo Claudicante é um trabalho impossível de ser definido. Antes, ficaria mais fácil classificá-lo como um livro de magia.

