Vipère au poing, c'est le combat impitoyable livré par Jean Rezeau, dit Brasse-Bouillon, et par ses frères à leur mère, une femme odieuse qu'ils ont surnommée Folcoche. Cri de haine et de révolte, ce roman, largement autobiographique, le premier d'Hervé Bazin, lui apporta la célébrité et le classa d'emblée parmi les écrivains les plus lus du XXe siècle.
Vipère au poing -
Hervé Bazin
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Um dos mais célebres romances infantojuvenis da literatura francesa, "De víbora na mão" ("Vipère au poing") é ainda hoje referência quando se fala em infância penosa. A mãe perversa, o pai submisso e negligente, as crianças martirizadas e a troca constante de preceptores compõem o quadro do fracasso doméstico da família Rezeau. Usando de humor negro e um saboroso tom debochado, Jean nos revela suas artimanhas com os irmãos para irritar e tornar mais difícil a vida da mãe, resposta às injustiças que os três sofrem todos os dias. Da resistência aos castigos até os poucos meios que encontram para coletar objetos e alimentos a eles proibidos e mantê-los escondidos da mãe, a vida dos garotos Rezeau é uma luta diária. O ódio é respondido com mais ódio: os garotos detestam a mãe e chegam a desejar-lhe não só a morte, mas serem eles mesmos os agentes causadores desta. O que mais atrai no decorrer da trama é observar a maneira como a cólera é alimentada e desenvolvida em Jean, ainda garoto e depois adolescente. E, ainda, a desesperada busca pela libertação, por uma vida de verdade. As consequências dessa não infância vivida por Jean são percebidas, primeiramente, com a rejeição de todos os valores provenientes do ambiente familiar, como a religião. Já na adolescência, o garoto passa a associar a figura da mulher a um ser impuro, que não merece ser respeitado ele vê a própria mãe em cada menina, em cada mulher , o que é bem visível no momento em que se envolve com uma garota do entorno. A vivência com a mãe molda o comportamento e o caráter de Jean de maneira talvez irreversível. Outro grande atrativo é que o livro tem caráter amplamente autobiográfico, tendo o autor sido filho de uma mãe tirana. Diversos elementos, como os nomes dos familiares, foram apenas minimamente modificados. De fato, Hervé Bazin sempre colocou a família no centro de todos os seus romances, tornando esse tipo de temática uma marca do autor. "De víbora na mão" pode perfeitamente ser lido como um romance único, mas a verdade é que ele originou outros dois livros, que continuam a narrar a vida do garoto Jean Rezeau. "La mort du petit cheval" e "Cri de la choutette" mostram, respectivamente, sua passagem para a idade adulta e, por fim, a volta da mãe vinte anos depois. (Acreditem, depois desse livro bombástico, vocês irão querer, a todo custo, ler a trilogia completa. Eu, pelo menos, quero desesperadamente!) A edição mostrada neste post é a portuguesa, pois o livro, até onde sei, não tem edição brasileira. Mas não façam disto um obstáculo para a leitura vocês estariam jogando fora a chance de conhecer uma grande obra. Apesar de considerado infantojuvenil inclusive, os jovens franceses costumam estudar esse livro na escola , De víbora na mão não se trata somente de um livro para divertir, e tampouco tem o estilo leitura obrigatória do colégio. Pelo contrário: tem o poder de sacudir e transformar o leitor. Ao desconstruir completamente a imagem da mãe, o livro perturba, até agride quem o lê de maneira que considero muito positiva. E faz com que terminemos a leitura com um algo diferente aqui dentro. LI EM FRANCÊS Escrito num francês bastante correto, o livro tem leitura bem fluida no geral. Mas não vou mentir: usei muito o dicionário por questões de vocabulário e algumas expressões em especial. Por isso, e com base na minha experiência com o livro, indicaria a leitura em francês apenas para quem já domina o idioma. LEIA PORQUE... "De víbora na mão" se encaixa perfeitamente na definição de leitura prazerosa que transforma. Recomendaria para TODO MUNDO, sem exceção. DA EXPERIÊNCIA... Fui tão envolvida pela trama e pela forma como foi narrada, que ainda quero um segundo mergulho nessa história. Refiro-me à adaptação cinematográfica, intitulada "De Víbora em Punho", lançada em 2004 e dirigida por Philippe de Broca. Para mim, assisti-la virou objetivo a ser alcançado o quanto antes. FEZ PENSAR EM... Mães literárias que me causaram repulsa. Mencionei duas delas lá no blog, no post Mães que jamais mereceriam celebrar o Dia das Mães.
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