Embora seja desfrutável, se isso for o ápice do asgardiano nos quadrinhos, ele vai ficar me devendo uma impressão melhor. Tem um excelente momento no quarto dos seis capítulos, quando um personagem grande se sacrifica. Mas fizeram a besteira grande de continuar por mais dois volumes bobos e descartáveis, que não tem nada a dizer e ainda causam estranheza por fazer parte de um enredo que já tinha acabado no volume quatro (a história continua mesmo depois de resolvido o impasse com o vilão). Só isso acaba comprometendo bastante o resultado final. Tem outros defeitos. A arte é correta, mas convencional demais e não deixa maior impressão. O roteiro exagera em verbalizações didáticas do que seria melhor traduzido em imagem. E há um sem fim de personagens secundários na guerra de Nova York que nem dá pra acompanhar. A questão do Loki planejando sabotagem com a Lorelei sequer chega a um desfecho. O que salva "A Saga de Surtur" é o meio da história, bem costurado, com um monte de tramas paralelas ocorrendo em lugares diferentes sendo compostas com precisão por Simonson e se afetando mutuamente. Pulamos de Nova York para o deserto do Saara e para os portões de Asgard sem nos perdermos na leitura e compreendendo como um evento está afetando o outro. O antagonista-título da saga é claramente uma alusão ao Lúcifer bíblico, mas até que fizeram esse cruzamento entre as mitologias cristã e nórdica com inteligência. A entrada de Lóki é boa e o momento da batalha dos três deuses contra Surtur é o auge da HQ, com uma conclusão em parte surpreendente. Saldo final levemente positivo. Dá pro gasto, principalmente se você desconsiderar a 'embromation' desnecessária dos dois últimos volumes. Mas ficou a impressão que não foi dessa vez que o deus do trovão rendeu uma narrativa de fato memorável.

