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    Ao anoitecer -

    Michael Cunningham

    Companhia das Letras
    2011
    264 páginas
    8h 48m
    ISBN-10: 8535919139
    Português Brasileiro
    3.5
    123 avaliações
    Leram164Lendo4Querem160Relendo0Abandonos3Resenhas12
    Favoritos13Desejados160Avaliaram123

    Em seu sexto romance, Michael Cunningham volta ao mundo da arte e penetra na alma de um homem de meia-idade que aparentemente cumpriu todas as exigências da vida. Suas certezas, no entanto, desmoronam de um momento para o outro. O quarentão Peter Harris é dono de uma galeria de arte bem-sucedida, embora não do primeiro time. Seu casamento é estável e sua vida social está bem encaminhada. Mas a visita do cunhado detona uma crise que coloca Peter diante de grandes dilemas. Ethan, 23 anos mais jovem do que a irmã do galerista, é Mizzy: "The Mistake", o engano. Usuário de drogas, ele flana pelo mundo sem se fixar em nada, irresponsável aos olhos da família e portador de uma beleza perturbadora. A presença magnética do jovem lança Peter em uma cadeia de questionamentos: sobre seu negócio; sobre o entusiasmo perdido pela mulher; sobre a relação fria que mantém com a própria filha; sobre os artistas que representa. De um lado, o marchand se divide entre o fascínio de um jovem que se recusa a encontrar um lugar no mundo e a força que esse mundo exerce sobre ele. Do outro, Peter se divide entre a consciência do caráter extraordinário da arte e a convivência com as regras do mercado. De ambos, ele espera um arrebatamento que só pode vir de maneira inesperada.

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    Daniel Boratto picture
    Daniel Boratto04/05/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    As Frustrações da Maturidade

    Depois de escrever sobre adolescentes/jovens adultos, sobre a família e sobre as mulheres, Michael Cunningham foca agora num personagem masculino maduro, Peter Harris. Ele é um marchand que vive em Nova York, que vê a estabilidade do seu casamento e o conforto da sua vida serem abalados pela presença do seu cunhado, Mizzy, este muito bem munido de armas poderosas: juventude e beleza. Enfrentando a crise da meia idade, Peter Harris será colocado à prova. Os capítulos funcionam como se fossem contos, todos têm uma unidade, tem um começo, meio e fim, por assim dizer. O primeiro é sobre o casal nova-iorquino, Peter e Rebecca, num taxi, indo a uma festa; o segundo é uma visita de Peter ao Metropolitan, acompanhado de uma amiga marcada pela idade e pela doença; o terceiro, o excelente “O irmão dela”, conhecemos a história da família de Rebecca, e o encantamento que isso causa em Peter; o quarto, “A História da Arte”, acompanhamos a parte burocrática do trabalho de Peter (e este capítulo é meio chato; felizmente, só este). E assim por diante, numa melhora crescente. O leitor acompanha o envolvimento (apaixonamento?) de Peter por Mizzy, seu jovem, belo e transgressor cunhado, enquanto este tenta se livrar do seu vício em drogas. Mas, ao contrário do protagonista, o leitor fica (pelo menos eu fiquei) com um pé atrás, desconfiado se Mizzy está realmente correspondendo ao sentimento de Peter, ou se tudo não passa de uma artimanha, para ter um trunfo, uma carta escondida na manga. Michael Cunningham acerta demais quando permeia seus textos com reflexões (“Será que jamais damos a alguém o presente que a pessoa realmente deseja?”), impressões sobre a arte e a não-arte, sobre as perdas e ganhos da vida, sobre os desencontros e desconexões com pessoas queridas (com o irmão Matthew, prematuramente falecido; com a filha Bea, que foi morar longe dos pais), sobre a estranha atração pelo wild side, sobre a sensação de ter fracassado em algum ponto, por mais privilegiado que se seja; sobre essa coisa às vezes tão confusa que é viver. E faz isso me maneira brilhante, arrebatadora. Não é um livro para se ler às pressas, de maneira descuidada. Pois muita coisa é sugerida, nada é muito explícito, há muito nas entrelinhas. Naquele famoso livro sobre um garoto que não queria crescer e que também se chamava Peter, há um trecho assim: "Tome cuidado, ou o destino vai acabar lhe oferecendo uma aventura que, se você aceitar, vai mergulhá-lo na mais profunda tristeza." É este o dilema que Peter Harris vai ter que enfrentar: aceitar - ou não - a aventura que o destino lhe colocou nas mãos. Michael Cunningham é um escritor extraordinário. Quem já leu "Uma casa no fim do mundo", "Laços de Sangue" ou "As Horas" sabe do que estou falando. Ele errou a mão em "Dias Exemplares", mas voltou a acertar neste "Ao Anoitecer".

    14 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 123
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas2%
    Michael Cunningham profile picture

    Michael Cunningham

    Escritor norte-americano, ficou conhecido por seu <i>As horas</i>, que lhe rendeu os prêmios Pulitzer e PEN/Faulkner de Ficção, além de uma adaptação cinematográfica.

    14 Livros
    76 Seguidores
    Ohio, Estados Unidos

    Michael Cunningham