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    Peregrinação de Barnabé das Índias -

    Mário Cláudio

    Dom Quixote
    1997
    284 páginas
    9h 28m
    ISBN-13: 9789722014861
    Português Brasileiro
    4.5
    2 avaliações
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    Barnabé, de uma família de judeus mais ou menos convertidos ao cristianismo, passou a sua infância numa aldeia do concelho de Lamego, junto ao rio Varosa. Foi aí que entrou em contacto pela primeira vez com os seus fantasmas, um deles o espírito de um seu amigo que morrera afogado no rio. Com dezasseis anos, parte para Lamego a trabalhar na oficina de um primo de sua mãe, antigo espião de el-rei e privado de fidalgos. Por uma questão de saias, o primo põe-no fora de casa e o rapaz parte para Lisboa onde leva uma vida de vagabundo até ser escolhido para integrar a tripulação da armada prestes a zarpar para a Índia. Enquanto no livro de contos Barnabé é o cozinheiro do capitão, no romance é um dos rapazes de fretes de Paulo da Gama. A infância de Barnabé remete para a infância de quase todos nós. Infância que se vai perdendo com as novas gerações de crianças nascidas e criadas nas cidades onde não há um rio para conhecer a morte, onde não há um pomar para assaltar à fruta. No romance, a biografia de Barnabé entrecruza-se com a de Vasco da Gama. Ao mesmo tempo que se contam as vicissitudes da infância e da adolescência de Barnabé, relatam-se os primeiros anos de Vasco na vila do Cacém com seu irmão Paulo. Não pretendeu Mário Cláudio relatar cronologicamente a vida do grande navegador português e a sua primeira viagem à Índia. Para isso há os livros de história. Tanto mais que a narração é de certo modo heterodoxa, escapando-se às convenções aceites pela tradição e pela investigação histórica. Mais do que um herói, surge-nos um Vasco da Gama simplesmente humano, preocupado com a sua fazenda, com as suas rendas de homem rico. Que não deixa contudo de sofrer com a morte do irmão tuberculoso ao chegar, ou de se irritar com certos comportamentos dos seus homens de marinhagem, ou de se preocupar com a sorte da armada estando detido em Calecute.

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    Rui Manuel Pinto Barbot Costa profile picture

    Rui Manuel Pinto Barbot Costa

    Escritor português, de nome verdadeiro Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nascido a 6 de novembro de 1941, no Porto. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, onde se diplomou também como bibliotecário-arquivista, e master of Arts em biblioteconomia e Ciências Documentais pelo University College de Londres, revelou-se como poeta com o volume Ciclo de Cypris (1969). Tradutor de autores como William Beckford, Odysseus Elytis, Nikos Gatsos e Virginia Woolf, foi, porém, como ficcionista que mais se afirmou. Publicou com o nome próprio, uma vez que "Mário Cláudio" é pseudónimo, um Estudo do Analfabetismo em Portugal, obra que reúne a sua tese de mestrado e uma comunicação apresentada no 6.° Encontro de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas Portugueses, em 1978. Colaborador em várias publicações periódicas, como Loreto 13, Colóquio/Letras, Diário de Lisboa, Vértice, Jornal de Letras Artes e Ideias, O Jornal, entre outros, foi considerado pela crítica, desde a publicação de obras como Um Verão Assim, um autor para quem o verso e a prosa constituem modalidades intercambiáveis, detendo características comuns como a opacidade, a musicalidade e a rutura sintática, subvertendo a linearidade da leitura por uma escrita construída como "labirinto em espiral". A obra de Mário Cláudio apresenta uma faceta de investigador e de bibliófilo que, encontrando continuidade na sua atividade profissional, inscreve eruditamente cada um dos livros numa herança cultural e literária, portuguesa ou universal. Dir-se-ia que a sua escrita, seja romanesca, seja em coletâneas de pequenas narrativas (Itinerários, 1993), funciona como um espelho que devolve a cada período a sua imagem, perspetivada através de um rosto ou de um local, em que o próprio autor se reflete, e isto sem a preocupação de qualquer tipo de realismo, mas num todo difuso e compósito, capaz de evocar o sentido ou o tom de uma época que concorre ainda para formar a época presente. Mário Cláudio recebeu, em 1985, o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores por Amadeo (1984), o primeiro romance de um conjunto posteriormente intitulado Trilogia da Mão (1993), em 2001 recebeu o prémio novela da mesma associação pelo livro A Cidade no Bolso e, em dezembro de 2004, foi distinguido com o Prémio Pessoa. Para além das obras já mencionadas, são também da sua autoria Guilhermina (1986), A Quinta das Virtudes, (1991), Tocata para Dois Clarins (1992), O Pórtico da Glória (1997), Peregrinação de Barnabé das Índias (1998), Ursamaior (2000), Orion (2003), Amadeu (2003), Gémeos (2004) e Triunfo do Amor Português (2004). O autor tem também trabalhos publicados na área da poesia (como Ciclo de Cypris, 1969, Terra Sigillata, de 1982, e Dois Equinócios, de 1996), dos ensaios (Para o Estudo do Alfabetismo e da Relutância à Leitura em Portugal, de 1979, entre outros), do teatro (por exemplo, O Estranho Caso do Trapezista Azul, de 1999) e da literatura juvenil (A Bruxa, o Poeta e o Anjo, de 1996).

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    Rui Manuel Pinto Barbot Costa