Cresci perto desse castelinho, e há muito ouvia a história de que um homem muito ciumento o construiu para manter confinada sua esposa. Poderia ser apenas mais uma das lendas de Porto Alegre, mas quando me deparei com esse livro tive curiosidade de conhecer a verdadeira história.
É a história de um relacionamento abusivo, como tantas que vemos por aí, nas nossas vivências e nos noticiários. Só que esta aconteceu nas décadas de 1940/1950, quando as mulheres eram ainda mais desrespeitadas e não tinham como recorrer a uma Lei Maria da Penha pra se defender. Nilza praticamente adentrou a vida adulta já como mulher desquitada e mãe solteira, ou seja, uma pária. Sua beleza atraiu a atenção de um homem, um velho poderoso e endinheirado, mentiroso costumaz, que escondeu que era casado e com filhas, e obstinou-se em fazê-la de amante. Conquistou a família com promessas de casamento e a filha com acesso a luxos. Nilza viu nele uma chance de restabelecer-se perante a sociedade. Afinal, quantas opções uma mulher na sua situação teria naquela época?
Conforme as verdades e a personalidade doentia de Carlos se revelam, a relação se torna cada vez mais tóxica e controladora, culminando na construção de um castelo em estilo medieval no centro de Porto Alegre, e na sua moradora vivendo praticamente como uma prisioneira por anos.
Não é que Nilza vivesse num cárcere privado literal. Ela podia sair, mas era totalmente vigiada por funcionários do marido. Também recebiam figurões da política para jantares no castelo, mas depois ela tinha que aguentar os acessos de ciúmes de Carlos, até mesmo ameaçada por um revólver.
Felizmente, Nilza conseguiu se libertar dessa dominação antes que fosse tarde. Mas certamente perdeu muitos anos de juventude e saúde com essas escolhas.