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    Vôo transverso - Poesia, Modernidade e Fim do Século XX

    Maria Esther Maciel

    Sette Letras
    1999
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Num momento em que o con­sumo é a medida de todas as coisas, o território da poesia pa­rece cada vez mais reduzido. Mas em vez de transformar os versos em tl'ineheiras' de-1Julto ao passado, o interessante é fa­zê-Ios veículos de uma visão crí­tica sobre sua própria identida­de e seu tempo, como mostra a professora de literatura e escri­tora Maria Esther Maciel em "Vôo Transverso - Poesia, Mo­dernidade e Fim do Século XX" (Sette Letras e Fale/UFMG). Anunciada pelos românticos, junção entre criação poética e reflexão crítica confirmou-se a partir de Baudelaire, tornando­-se uma prática bastante disse­minada no início deste século. "Hoje, muitos desses poetas-crí­ticos estão nas universidades, e essa aliança criação-reflexão continua, só que já não mais com aquela intensidade moder­na", diz Maria Esther. Ela lem­bra que durante algum tempo ­e até mesmo por efeito das van­guardas e dos valores que nor­tearam a modernidade - alguns poetas levaram essa prática crí­tica às últimas conseqüências. "Neste final de milênio, eles es­tão atentando mais para outros aspectos da criação, como a in­tuição", ressalta. A autora observa que o poeta sempre teve uma ligação contra­ditória em relação à sua época. O avanço da revolução tecnoló gica, por exemplo, gerou uma função marcadamente utilitária atitude dúbia: se por um lado os autores buscaram reforçar a autonomia dos poemas diante da realidade, por outro passaram a ­incorporar os recursos que a própria tecnologia oferece. “O contexto atual da poesia está marcado pela presença efetiva dos meios de comunicação e do consumismo – e é em relação a isso que o poeta se detabe”, explica a escritora. Maria Esther reconhece que é inevitávél que a poesia, como qualquer outra arte, sofra pro­cesso de mercantilização. "O poeta depende das editoras e da midia para se fazer conhecido", justifica. "No entanto, é necessá­rio saber aproveitar isso tudo de forma criativa." Ela sustenta que a poesia sempre foi uma prática marginalizada, já que não tem função marcadamente utilitária e pragmática. No entanto, salien­ta que os poetas sempre foram importantes para constituição dos povos. Basta lembrar de Homero, Camões, Pessoa, Drum­mond e Borges, só para citar al­guns. "Como disse Octavio Paz, as socidades decaem e a poesia permanece", revela.

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    Maria Esther Maciel

    Maria Esther Maciel é uma poeta, ensaísta e escritora brasileira. Nasceu em Patos de Minas (MG) e mudou-se para Belo Horizonte em 1981. É professora titular de teoria da literatura comparada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Literatura Comparada pela mesma instituição, onde também coordenou o Transverso - Fórum de Criação e Estudos Poéticos. Fez Pós-Doutorado em Literatura e Cinema na Universidade de Londres e em Literatura Comparada pela USP. Foi cronista semanal do Caderno de Cultura, do jornal Estado de Minas, entre 2011 e 2014. Estreou na ficção com O livro de Zenóbia, finalista do prêmio Portugal Telecom de 2005. Seu segundo romance, O livro dos nomes, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, do Prêmio Portugal Telecom e do Prêmio Jabuti em 2009. Recebeu menção especial no Prêmio Casa de las Américas 2009. Foi uma dos representantes do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt em 2013. Participou da mesa "O Falcão e a Fênix" na Feira Literária de Paraty em 2016. Tem artigos e textos literários publicados em vários periódicos do Brasil e do exterior.

    13 Livros
    7 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Maria Esther Maciel