Insônia -

    André Timm

    Design Editora
    2011
    79 páginas
    2h 38m
    ISBN-13: 9788560332984
    Português Brasileiro

    Menção Honrosa no Prêmio Sesc de Literatura. Numa cidade apinhada de prédios, a insônia proporciona encontros furtivos nas janelas dos apartamentos. E, no relance desses olhares, histórias se constroem e expõem o que há de mais obscuro em uma madrugada. Num prédio em que ninguém dorme, a insônia proporciona concretude aos sonhos mais estranhos. Tal qual a lógica de um edifício, os enredos de Insônia se superpõem numa armação de intrigas que tem como base o cotidiano de pessoas que vivem juntas, mas não se conhecem. É no sutil encontro que existe em estar vendo e ser visto que as histórias se cruzam: por entre salas, corredores e elevadores, vemos o desvario de um compositor frustrado, o jogo bizarro de um seqüestro e vemos ainda outros acontecimentos que desafiam a memória e testam obsessões. Vemos e somos vistos, pois na madrugada dessas insônias, nossos pesadelos ganham cores sombrias e nossos temores se concretizam em situações que anunciam o desastre. Numa cidade apinhada de pessoas, estamos todos na vigília da vida, confusos entre a realidade e o sonho. Se os pilares sustentam o concreto, a vida sustenta absurdos – e justamente ao captar o que é efêmero e assustador, André Timm nos coloca frente a frente com a vida e desfecha: concreto, somente os edifícios. Entretanto, em meio a tantos olhares enviesados, encontros ao acaso, músicas e brigas que não se resolvem, Insônia também proporciona concretude à madrugada de nossos medos.

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    Maurem Kayna25/07/2011Resenhou um livro
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    Teia sob sono e (des)engano

    Os contos de André Timm individualmente são bons - ainda que alguns possam parecer inverossímeis quando tomados individualmente, mas a costura deles ou sua sobreposição à moda mesmo de uma construção, torna-os melhores. Os melhores contos (parecem mesmo os que consumiram maior dedicação na construção dos personagens e cenários) para mim são o 1001 - que esmiuça horas críticas na vida de um septuagenário sem sono e 1002 - o fim de um casamento que é percebido como tal pelo vizinho insone, mas de forma muito distinta daquela que o leitor consegue desvendar com o acesso panorâmico que o autor nos oferece. Há outros contos que parecem ter sido feitos mais às pressas e apesar de gostar de textos sem todas as respostas, 0 801 e o 903 ficaram devendo. A linguagem é direta, sem acrobacias e a ideia parece ser arrastar o leitor no desconforto que se experimenta mesmo na batalha contra a falta de sono. Consegue.

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