No princípio era a educação traz parte da tese de Alice Miller sobre a sempre em voga "como o tratamento recebido na infância e na adolescência moldam a psique adulta".
Esse tema, um dos mais batidos e ainda assim mais misterioso, permanece justamente porque quase tudo que temos da prática pedagógica - vista aqui como toda a preparação do indivíduo - continua a ser uma mistura de arte com ciência que traduz apenas um ponto: não se sabe ainda o que fazer.
Alice Miller preconiza aqui dois pontos: a confiança/constância e disciplina/não-violência. Sua ideia é que um ambiente ordenado, com claros limites de território, e a aceitação, mas não submissão a reações emocionais, seriam a resposta para uma criação menos invasiva.
Por argumentação, ela esmiúça alguns casos dos quais pode-se citar dois por serem mais emblemáticos: Christiane F. (exemplo de ambiente desordenado e sem limites definidos) e Adolf Hitler (educação violenta e ameaçadora). Como a autora fornece os pontos escritos, não é necessário ter lido qualquer biografia; o texto é detalhista.
Obviamente, como nada aqui pode ser testado por métodos de reprodução científica sem levantar pesados problemas éticos e morais, é basicamente um trabalho teórico-especulativo. Contudo, para aqueles ligados ao sistema educacional, algumas hipóteses podem ser bem aproveitadas pelo volume de informação recuperado em tal.
É um trabalho interessante para quem é conectado ao meio. Pode ser um tanto maçante e abstrato para os curiosos, no entanto.