Há já vários anos, venho expondo idéias de filosofia política em páginas que assino na revista VISÃO. Entre essas idéias, encontra-se a de um poder legislativo separado dos outros poderes e desvinculado dos partidos políticos, a qual recentemente resumi em artigo denominado "Legislativo sem partidarismo" (VISÃO, 28-11-83). A concepção não é nova nem minha: ela vem das origens do constitucionalismo representativo, que começou a tomar forma a partir do século XVII, alicerçado nas doutrinas entrelaçadas do estado de direito e da separação de poderes. Porém, como nunca chegou a existir na prática uma assembléia legislativa desligada de influências partidárias, e alguns vão ao ponto de considerar uma heresia um legislativo com membros sem filiação a partidos, VISÃO resolveu colocar a idéia em discussão, tendo como referência básica meu artigo de novembro último. Diversos juristas, professores, políticos e jornalistas de nomeada foram convidados a comentar, por escrito, a viabilidade e a oportunidade de um legislativo sem partidarismo. Suas opiniões foram publicadas em dezesseis números do semanário VISÃO, de 12-12-:-83 a 2-4-84, inclusive. Em cada número, apareceram também observações minhas, em uma espécie de tréplica à argumentação dos convidados, procurando mostrar que a idéia, apesar de inédita, é factível e desejável. Terminada a publicação da série em VISÃO, os dezesseis conjuntos de comentários, mais alguns artigos meus, que serviram de subsidio para as discussões, estão agrupados aqui, neste volume. Graças ao brilho intelectual dos 28 debatedores - aos quais, reconhecidamente e de público, agradeço o terem aceito o convite de VISÃO-, o opúsculo, reduzido em tamanho mas não em conteúdo, será certamente de muita valia para os estudiosos do Direito e da Política, e para todos os interessados no desenvolvimento institucional do nosso pais.
