Margem Esquerda 09 - Dossiê: América Latina: continuísmo ou rupturas?

    Vários

    Boitempo
    2007
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 1678768409
    Português Brasileiro

    Nesta nona edição da revista Margem Esquerda, as novidades políticas da América Latina são o tema do dossiê, organizado por Maria Orlanda Pinassi e Paulo Arantes. Um continente “entre a reforma e a revolução”, na expressão do intelectual português Miguel Urbano Rodrigues, que em seu artigo relata a crescente contestação ao segundo mandato de Álvaro Uribe, na Colômbia, empreendida por sindicatos, organizações camponesas e indígenas. O dossiê também traz, entre outros textos, o trabalho do jornalista mexicano Luis Hernández Navarro sobre a organização popular que se forja por redes de solidariedade informais, como as da Comuna de Oaxaca. José Luís Fiori escreve sobre as vitórias populares na América do Sul, e como estas são ferozmente atacadas pela direita porque demonstram a capacidade renovada de acumulação de forças dos movimentos de esquerda. A América Latina é tema ainda de notas de leitura e da resenha de Emília Viotti sobre Latinoamericana: enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe, publicada pela Boitempo. Um dos mais importantes pensadores marxistas da atualidade, o húngaro István Mészáros denuncia o cinismo com o qual a fome é tratada em períodos eleitorais, supostamente o símbolo maior da democracia do sistema. “A crise estrutural da política” faz uma reflexão realista sobre a competição entre candidatos na crise do capital, que define como “disputa entre políticos prometedores nas pedras que pavimentam o inferno”. O entrevistado desta edição, o jornalista e historiador Jacob Gorender, faz um balanço da esquerda brasileira desde os anos 40 e de sua própria militância, analisando a atuação dos comunistas na resistência ao golpe militar de 1964 e as reações à derrocada da União Soviética. Seu depoimento se transforma em um comovente documento da história recente de seu país. O ensaio de Maria Lygia Quartim de Moraes recupera os ideais e as trajetórias da geração de 1968 – que, entre outras bandeiras, lutou pela libertação sexual – para discutir a despolitização contemporânea do feminismo. Na seção Clássico, publicamos “Os usos da teoria cultural", de Raymond Williams. O pensador galês avalia os desdobramentos da crítica cultural acadêmica, que, no embalo das importações teóricas francesas do pós-estruturalismo, se afasta da Nova Esquerda. Atualíssimo, o ensaio mostra como a crítica cultural paga o preço dos novos e sombrios tempos em termos de perda de relevância e de potencial cognitivo.

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