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    Introdução a uma clinica diferencial das psicoses -

    Contardo Calligaris

    Artmed
    1989
    125 páginas
    4h 10m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.6
    47 avaliações
    Leram84Lendo33Querem115Relendo0Abandonos3Resenhas6
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    Resenhas (6)Ver mais
    César de Oliveira picture
    César de Oliveira12/06/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Contardo clínico e professor

    Os seminários transcritos e revisados neste livro versam sobre a abordagem lacaniana das psicoses, com especial atenção à categoria lacaniana de crise psicótica, que separa sujeitos estruturados em psicose antes da crise desencadeada e sujeitos estruturados em psicose desencadeada por uma crise. É essencial aqui a tríade Real-Simbólico-Imaginário pois a estrutura está na ordem simbólica enquanto a crise se enxerga nos seus efeitos imaginários. A foraclusão do significante Nome-do-Pai é uma questão preliminar a todo tratamento da psicose pois na neurose há o recalque do significante Nome-do-Pai através da castração, enquanto na psicose isso não acontece, se joga fora (foraclui) este significante. É uma categoria negativa à neurose, o que de maneira alguma fala que a psicose é o negativo da neurose, pois não há castração aqui, como na neurose, mas sim uma categoria negativa: a primeira forma de compreender a psicose seria diferenciá-la da neurose e da perversão pela não-castração. A estruturação do sujeito (barrado pela castração na neurose, ou não, na psicose) é a obtenção de algum estatuto simbólico, alguma significação, para que o sujeito seja algo distinto do Real do gozo. É uma defesa contra ser objeto de uma demanda imaginária do Outro, contra se perder como objeto do gozo do Outro. Quando a significação prevalece sobre a demanda imaginária, há sujeito. A aposta neurótica é que haja "ao menos um" que saiba lidar com a Demanda do Outro. Então, o saber vai ter um sujeito suposto, e a problemática de defesa vai se jogar na relação de dívida deste sujeito com o "ao menos um" que sabe. Já o psicótico não tem esta barreira, e se enreda no círculo infernal da Demanda do Outro. É uma errância. Não há sujeito suposto saber no psicótico. O que faz o saber inconsciente de um sujeito não pode ser calculado a partir da singularidade dos membros da sua família. É algo que só pode ser calculado no discurso. A presença efetiva dos membros da família geralmente produz como efeito um aumento das resistências do analista, porque ele vai acreditar num cálculo possível do saber inconsciente do sujeito a partir da singularidade dos desejos inconscientes dos membros da família. O que é decisivo para o sujeito não são as relações intersubjetivas, mas sim os cálculos discursivos nos quais significantes se organizam sem respeitar o jogo das intenções ou mesmo dos desejos singulares dos falantes. É muito impactante ler tão explicitamente como a abordagem lacaniana não trata do romance familiar, mas sim da constituição do sujeito estruturalmente. O interesse do conceito lacaniano do Outro é chamar a atenção sobre o fato de que a determinação de um sujeito se decide no campo da linguagem e segundo cálculos que não coincidem com laços intersubjetivos. É por isso que a psicanálise não permite uma prevenção. Por patógenas que nos apareçam algumas situações familiares, não é possível deduzir, destas situações, coisa alguma sobre o destino do sujeito.

    6 curtidas

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    4.6 / 47
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    Contardo Luigi Calligaris profile picture

    Contardo Luigi Calligaris

    É um escritor, psicanalista e dramaturgo italiano radicado no Brasil. Sua primeira formação foi em Epistemologia Genética, na Suíça, numa faculdade em que Jean Piaget palestrava. Nesse momento, seus os estudos foram direcionados às ciências sociais. Ao mesmo tempo, fez graduação em Letras que o permitiu ensinar teoria da literatura. Mais tarde, em Paris, se dedicou ao doutorado em Semiologia, com Roland Barthes. Nesse momento, começou a fazer análise (como paciente), o que, a princípio, não tinha relação com sua formação. A partir dessa experiência passou a interessar-se por Psicanálise. Tornou-se membro da Escola Freudiana de Paris em 1975. Durante esse período, frequentava as apresentações de casos de pacientes feitas por Jacques Lacan. Doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de Provença (França), onde defendeu a tese "A Paixão de Ser Instrumento", estudo sobre a personalidade burocrática. Professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), e de Estudos culturais na New School of New York. O primeiro contato com o Brasil foi em 1986, após a edição de seu primeiro livro de Psicanálise, "Hipótese sobre o fantasma". Devido a isso, o autor fez diversas palestras pelo país, onde acabou se casando. Além da vida acadêmica, escreve semanalmente, no caderno ‘Ilustrada’, da Folha de S. Paulo, desde 1999, e é autor de diversos livros.

    21 Livros
    96 Seguidores

    Contardo Luigi Calligaris