A Estrutura do Comportamento - Precedido de Uma filosofia da ambiguidade de Alphonse de Waelhens

    Maurice Merleau-Ponty

    Martins Fontes
    2006
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-10: 8533622341
    Português Brasileiro

    A estrutura do comportamento se apropria da imagem que as principais escolas de psicologia experimental desenham de nós mesmos e se dedica a provar que os fatos e os materiais reunidos por esta ciência bastam para contradizer cada uma das doutrinas interpretativas às quais o Behaviorismo ou a teoria da Gestalt recorreram. A estrutura do comportamento se esforça para provar que essa própria experiência não é compreensível nas perspectivas ontológicas que a ciência adota espontaneamente.

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    Cristian Marques13/04/2018Resenhou um livro
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    Nem resenha, nem resumo: alguns apontamentos.

    Este é o primeiro livro, propriamente dito, de Merleau-Ponty, publicado em 1942, porém redigido em 1938 como tese de doutoramento. É melhor lê-lo antes de "Fenomenologia da Percepção", de 1945, pois o próprio Merleau-Ponty o considerava como continuação de a Estrutura do Comportamento. Ainda, para facilitar, recomenda-se fortemente a leitura de "O Primado da Percepção" antes de a "Estrutura do Comportamento" e "Fenomenologia da Percepção". Esse livro é influenciado pela escola “Gestalt”, “psicologia da forma”, que enfatizava a natureza organizada da experiência humana. As percepções, segundo eles, “não são fragmentadas em unidades atomísticas chamadas ‘sensações’, mas constituem um todo estruturado nos quais o significado dos elementos individuais depende de sua relação com o todo”. Merleau-Ponty achava que a tese deles era na verdade uma tese filosófica sobre “a natureza essencial da experiência humana.". No segundo capítulo, a noção de "forma" é elucidada ao ponto de, nela, termos um meio de evitar as velhas dualidades do pensamento filosófico iluminista (mente/corpo; mente/mundo). Contudo, o filósofo nos mostra a solução dessas dualidades no nível da psicologia e da fisiologia. Ele terá de fazer o mesmo percurso, contudo, atravessado pela reflexão de qual a condição de possibilidade da noção de 'forma', para aquela noção ganhar seu significado propriamente filosófico. Merleau-Ponty consegue argumentar no terceiro capítulo como devemos compreender as relações entre o "vital", o "psíquico" e o "físico" a partir da discussão da teoria da forma feita pela psicologia da Gestalt. A conclusão do capítulo mostra que essa psicologia tem a virtude de romper com o biologicismo e materialismo em psicologia, mas ainda restam ambiguidades (que ele discutirá no proximo cap.) de como a mente e o corpo se unem. No último capítulo, o "como" da relação mente-corpo é explicada: a significação é esse entrelaçamento de mente-corpo. Mas como? Ora, significados não são coisas, mas a própria organização da nossa experiência sensível (isto é, experiência corporal). Difícil de entender? Sim. Fico com uma dupla sensação: parece que o autor resolve o velho problema que se arrasta desde Descartes; por outro lado, parece que ainda ficam questões sobre essa relação. Quais questões? Não está claro ainda pra mim, mas quero descobrir.

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