Conforme relata o livro, cerca de 10% da população é daltônica, parcela esta da qual o autor faz parte. Por saber da experiência que uma criança passa ao descobrir que tem daltonismo, Ricardo Prado compôs um texto sensível e preciso que possui todos os elementos indispensáveis para elucidar e auxiliar a criança a conviver com sua situação. Em forma de diário, o jovem Francisco conta um pouco do seu dia a dia até descobrir que enxerga as cores de maneira diferente quando calça uma meia vermelha e outra verde. Seu tio, que é oftalmologista, faz alguns exames, descobre que o sobrinho é daltônico e explica a situação, dizendo para não se preocupar que sua vida não será muito diferente do normal. A partir daí, recebe o apelido de Dalton por sua irmã, a quem ele se recusa a citar o nome em seu diário como vingança. O menino relata alguns contratempos vividos em decorrência de sua condição em paralelo às inseguranças e incertezas da pré-adolescência, como a descoberta da primeira paixão e o preconceito sofrido pelos colegas de escola por causa de sua singularidade. Mas tudo muda quando Francisco participa de uma competição de paintball, na qual descobre que é o único capaz de enxergar os rivais camuflados na mata, levando a sua equipe à vitória. Seu “poder” de ver o que ninguém mais vê e encontrar os inimigos, o torna querido entre os colegas e ainda lhe confere a chance de receber um beijo da garota pela qual é apaixonado. Fartamente ilustrado, é um livro que, além de divertido, pode ser muito útil para que algumas crianças descubram sua condição especial de enxergar as cores e aprendam a conviver com isso de forma harmoniosa.