O quadrinho, enquanto uma manifestação sobre a mais emblemática tragédia do início do século, tenta não só ser uma resposta rápida de uma das maiores editoras do gênero, cujas raízes editoriais e criativas estavam em Nova Iorque, ao iminente trauma coletivo, mas também um alento sensível aos seus leitores, compostos particularmente de crianças e adolescentes.
Não se trata de uma trama com arcos engendrados, motivações claras e maquiavelismo maniqueísta, mas do capítulo final, das consequências de algo muito maior do que qualquer ficção ousa fazer com que alguém experiencie. Maior do que qualquer humano, em seu íntimo, deveria ser capaz de conceber.
A obra é mais do que um retrato da confusão, da dor e da ansiedade de uma violência sem tamanho, é a representação da esperança, do ímpeto e da coragem que o Homem precisa ter, diariamente, para lidar com um mundo cada vez mais caótico, áspero e frio.
É uma história com vilões, mas eles não estão ali de modo claro. Doutor Destino?! Não, o ditador, apesar de marcar presença, chora em sua pequeneza ficcional ao se deparar com a verdadeira monstruosidade do real.
Os verdadeiros malfeitores dessa história já haviam agido, muito antes de aviões, a mando também de criminosos, decolarem. Eles o fizeram através de ações políticas que há muito causaram instabilidades, rancor e miséria, algo que, através de uma macabra simetria de eventos, voltou-se para seus próprios domínios.
Mediante tudo isso, é louvável o cuidado que a Marvel toma ao fazer sua singela homenagem, vinda de heróis de papel, aos verdadeiros heróis, de carne, homens e mulheres, que olharam para o outro antes de para si mesmos.
Porém, ainda mais impactante, aos olhos da "justiça histórica", é o silêncio do Capitão América em seus poucos quadros. O silêncio de um ideal morto, um ideal que não foi praticado, um ideal que agora só podia olhar com profundo pesar o que sua inanição foi capaz de gerar...