A-não-se-ler. Definição lacaniana do escrito. Algo como "Cachorro bravo", ou "Proibido entrar". Até mesmo: "Lasciate ogni speranza". Digamos que é um desafio, feito para tentar o desejo. Lacan resumia em uma frase a lição dos Escritos: "o inconsciente decorre do puro lógico, em outros termos, do significante." Os Outros Escritos ensinam que o gozo também decorre do significante, mas em sua junção com o vivo; que ele se produz a partir de "manipulações" não genéticas mas linguageiras, afetando o vivo que fala, aquele que a língua traumatiza. Segue-se: que o gozo, cínico como tal, não condescende ao desejo senão pela via do amor; que cria obstáculo a qualquer programação da relação sexual; que, feminino, tem repulsa pelo universal e se afina com o infinito; que, fálico, é "fora-do-corpo"; e outros teoremas até então inauditos na psicanálise. Seu correspondente não se encontra no genoma, cujo mapeamento no entanto promete, novas núpcias do significante e do vivo. Pressentimos o advento do self-made-man. Nós o chamaremos: UOM do século XXI. Esta coletânea poderia ser seu viático. Decifrando-a, saberemos melhor lidar com os sintomas desconhecidos do amanhã.
