Como pensar a leitura? Ao buscarmos responder a essa pergunta, somos tentados a elucidar o que vem a ser ler. Dentre as muitas definições para o verbo, é possível encontrar “reconhecer, perceber, sentir”. Para aqueles que têm na leitura um hábito, tais acepções parecem sugerir um sentido para a leitura que muito além do simples ato de percorrer um texto com os olhos. Através do texto literário, o leitor tem a possibilidade de encontrar-se consigo mesmo, consciente ou inconscientemente, por meio da descoberta do outro.
Leitura e experiência, organizado por Evandro Nascimento e Maria Clara Castellões de Oliveira, apresenta 16 ensaios que dão variados testemunhos sobre o caráter experimental da leitura.
O livro revela-se uma profícua e prazerosa jornada por uma pluralidade de autores e instrumentais da leitura. O artigo de Eliana Yunes, por exemplo, sustenta que os muitos modos de ler conduzem a uma consideração reflexiva de nós mesmos e do mundo, à percepção do desentendimento das coisas e dos homens que, se não nos conforta pela identificação, estimula-nos a alteração.
Sob essa ótica, ler é mais do que um simples ato; é movimento, é uma forma de reconhecimento (e desconhecimento), de percepção de si e do outro. O sujeito-leitor, preso a um tempo, a um lugar, reflete, sente, experimenta.
Cuidadosamente desenvolvidos por profissionais do campo de estudos literários, os ensaios são mais do que uma reflexão a respeito da leitura, fazem-se uma aula de escrita. Demonstram, ao mesmo tempo, como teoria e prática estão associadas, uma vez que as abordagens teóricas estão ilustradas pela experiência de leitura de cada autor. Assim, Leitura e experiência interessa não somente aos pesquisadores e professores da área, mas também àqueles que estão iniciando sua caminhada pelo estudo da literatura.