Os ensaios que integram Estudos sobre Hegel foram escritos entre 1966 e 1979. Neles, longe de arriscar uma nova interpretação global a respeito da obra do grande filósofo alemão, Norberto Bobbio opera em detalhe, privilegiando o aspecto propriamente jurídico-político da filosofia hegeliana. Sua ideia-força afirma que Hegel, autor de uma teoria que repõe o Estado como momento positivo (e superior) do desenvolvimento histórico da humanidade, é um continuador da tradição jusnaturalista iniciada com Hobbes - um continuador distinto e especial, posto que espelha ao mesmo tempo a dissolução e a plena realização daquela tradição. Apenas a partir de Hegel, e em boa medida contra ele, é que as correntes vivas do pensamento político oitocentista - do socialismo utópico ao científico, do anarquismo ao liberalismo defensor do "Estado Mínimo" - conseguiriam deslocar a imagem tradicional, passando a rebaixar o Estado a momento negativo do qual a humanidade precisaria se libertar.


