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    O escritor e seus fantasmas -

    Ernesto Sabato

    Companhia das Letras
    2003
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788535903140
    Português Brasileiro
    4
    43 avaliações
    Leram84Lendo5Querem108Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos4Desejados108Avaliaram43

    Nem passatempo nem evasão: a literatura é a maneira mais completa de examinar a condição humana. Os textos de O escritor e seus fantasmas partem dessa convicção para tratar dos problemas suscitados pelas grandes obras, em especial pelo romance. Por que, como e para que se escrevem ficções? Qual o papel da literatura e da arte? O autor responde a essas questões com paixão e veemência, contrapondo sua prática de romancista a teorias como o existencialismo e a fenomenologia. Suas respostas, porém, não formam uma teoria do romance. Surgem da experiência da escrita, das reflexões estimuladas pela leitura ou provocadas por questões em debate. Às vezes, são ensaios de várias páginas; outras, reduzem-se a aforismos; ou, ainda, podem ser citações de diferentes escritores sobre seu ofício. O romancista critica tanto os defensores do realismo socialista e de um certo engajamento ingênuo da literatura como escritores que adotam o culto ao estilo - entre eles Jorge Luis Borges, autor que, para Sabato, faz de um "argumento engenhoso" a essência de sua obra. Segundo Sabato, a característica essencial da literatura que resiste ao tempo é compor um retrato ao mesmo tempo fiel e complexo da experiência humana sem produzir um reflexo mecânico da realidade. O escritor deve investigar a impureza da vida para oferecer um testemunho artístico do mundo e de seu tempo. Para essa tarefa, o romance é o gênero mais apropriado, já que expressa a condição ambígua e angustiada da alma, em permanente conflito entre a carne e a razão, o relativo e o absoluto, o diabólico e o divino.

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    Alexandre Kovacs04/02/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ernesto Sabato - O escritor e seus fantasmas

    Este livro, publicado originalmente em 1963, pode ser considerado como uma espécie de diário do escritor argentino Ernesto Sabato no qual ele apresenta as suas dúvidas, críticas, teorias e reflexões sobre a literatura e o ofício de escritor. Segundo o próprio Sabato definiu na apresentação à primeira edição: "este livro é constituído por variações de um só tema: por que, como e para que se escrevem ficções?". Sendo assim, os tópicos estão sempre relacionados com a sua própria escrita ou de outros autores que podem ser apenas citados como Proust, Tostoi, Balzac, Kafka, entre muitos outros, ou através de uma análise crítica mais demorada como: nos casos de Robbe-Grillet, Nathalie Sarraute, Jorge Luis Borges e Jean Paul Sartre. Sabato comenta sobre a inutilidade de uma "literatura nacional" já que em autores como Kafka (e ele próprio, diga-se de passagem) não conseguimos identificar elementos nacionalistas, mas sim universais. Adicionalmente, considera impossível uma literatura sem a influência cultural européia porque, segundo ele, não existe uma originalidade absoluta, Faulkner vem de Joyce, Huxley, Balzac e Dostoiévski. Há páginas em O Som e a Fúria que parecem plagiadas de Ulisses. Sem falar da cultura negra americana que soube criar, à partir da herança anglo-saxã, toda a música moderna que fazemos hoje no mundo. Algumas ideias de Ernesto Sabato: "o romance é um gênero impuro por excelência. Resiste a qualquer explicação e extrapola todas as limitações". "O fanatismo é a essência do criador, é preciso ter uma obsessão fanática, nada deve antepor-se a sua criação, deve sacrificar qualquer coisa a ela. Sem esse fanatismo nada de importante pode ser feito". "Nos últimos tempos foram feitas inúmeras tentativas para se transpor o livro para a técnica cinematográfica, mas obras de Proust, Virginia Woolf ou Faulkner são essencialmente literárias e irredutíveis a qualquer outro meio de expressão". Concordando ou não com Sabato vale a pena conhecer os pontos de vista de um dos maiores escritores contemporâneos.

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    Ernesto Sabato

    Nasceu em 1911 em Rojas. É um dos mais importantes escritores argentinos do século XX. Doutor em física, abandonou a ciência para se dedicar integralmente à literatura e à pintura. Militante comunista na juventude, tornou-se na maturidade um dos mais combativos defensores dos direitos humanos, tendo presidido em seu país em 1983-4 a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas, cujo trabalho originou o relatório Nunca más, conhecido como "Informe Sabato". Publicou os romances <i>O túnel</i>, <i>Sobre heróis e tumbas</i> e <i>Abadon, o exterminador</i>, e os livros de ensaio <i>Heterodoxia, Homens e engrenagens</i>, <i>Antes do fim</i> e <i>O escritor e seus fantasmas</i>, entre outros. Sua obra foi reconhecida por escritores como Albert Camus e Thomas Mann. Morreu em 2011, aos 99 anos.

    35 Livros
    56 Seguidores
    Província de Buenos Aires, Argentina

    Ernesto Sabato