O primeiro volume comporta os quatro primeiros capítulos publicados pela revista japonesa Melody.
Primeiramente, a ideia de Ooku tem uma apresentação distópica, onde a história japonesa teria sido modificada devido a uma catástrofe: uma epidemia teria dizimado mais da metade da população masculina, provocando uma reviravolta social da figura feminina.
Achou familiar? É a mesma premissa dos quadrinhos Y-O Último Homem de Brian K. Vaughan lançado dois anos antes. Não tome isso como motivo para desprezar a obra de Fumi Yoshinaga. Ooku tem suficiente qualidade para se sustentar como uma obra separada.
Diferente de sua inspiração, Ooku não almeja uma utopia do útero. De fato, a história factual se mantém, porém lança um novo prisma aos conflitos internos do shogunato. Essa não é uma obra de ficção científica, é um tratado político e social.
Neste volume, temos o momento em que a nova estrutura social e governamental já está formada, e seus primeiros arroubos de contra-cultura se revelam. Yunoshin é um samurai de classe baixa que se emprega no harém da shogun para preservar a família e é através de seus olhos que entendemos o sistema e suas falhas.
A arte de Yoshinaga é bonita, com suficiente estilo para destacar rostos em uma história que demanda atenção à emoção. A arte final resgata toques como o pontilhismo que quase não se vê mais em ambas as indústrias, oriental e ocidental.
Recomendo mesmo que seja a título de curiosidade.