Microcosmos -

    Claudio Magris

    Companhia das Letras
    2011
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-13: 9788535919141
    Português Brasileiro

    Danúbio e Microcosmos guardam muitas semelhanças, mas, se o primeiro se estendia das nascentes à foz do grande rio europeu, explorando personagens e acontecimentos históricos da Mitteleuropa, o segundo se retrai para a cidade natal do escritor, Trieste, e seu entorno. Sozinho ou acompanhado por sua mulher, a também escritora Marisa Madieri (1938-96), Magris agora circula pelos cafés e ruas de sua cidade, visita regiões da fronteira italiana que até recentemente tinham pertencido à ex-Iugoslávia, encontra escritores locais, familiares, figuras anônimas. O resultado é uma sucessão de fragmentos descritivos que não se deixam compor numa narrativa mais ampla, como ocorrera em Danúbio. Microcosmos se mostra apenas como quadros desgarrados da memória sentimental do autor, que olha e registra o que vê. "Sua prosa sem rodeios e veloz capta em pinceladas concisas o efêmero cambiar da vida, a tragédia da guerra e a dor de uma geração ou de uma noite. Ele se parece com seu Friuli adotivo, com seu destino de passar, inobservado, à margem da História", diz Magris do escritor Giulio Trasanna. Mas poderia estar falando de si, observador perplexo diante de uma Europa mais uma vez conflagrada. Escrito nos anos finais do século XX, durante a Guerra da Bósnia, Microcosmos é, por fim, a elegia meditativa que Claudio Magris dedicou a seu próprio tempo.

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    Aguinaldo Medici Severino19/06/2013Resenhou um livro
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    microcosmos

    Claudio Magris publicou "Microcosmos" em 1997, durante a violenta fragmentação das repúblicas balcânicas que formavam a antiga Iugoslávia. Assim como em seu fenomenal "Danúbio", em "Microcosmos" Magris faz diversas viagens por uma região e extrai delas uma invenção riquíssima, uma narrativa inventiva, que se é enfim um romance (pois romances são aquilo que um autor afirma serem romances) tem algo de ensaio, de descrição, de crônica, de memória. Desta vez Magris - antes o narrador de Magris - explora tudo o que se irradia culturalmente e historicamente a partir de sua cidade natal, Trieste, lugar onde montanha, campo e mar se encontram. Usando o artifício de registrar conversas descompromissadas em cafés, encontros com amigos, análise do que lê em jornais, visitas a pessoas comuns que experimentaram as transições pelas quais aquela região passou, Magris alcança produzir uma narrativa muito boa de se ler. Trieste, porto importante do Império Austro-Húngaro até o início do século XX, somente tornou-se parte da Itália após a primeira grande guerra mundial, sendo posteriormente dividida com a antiga Iugoslávia, logo após a segunda grande guerra (esta parte sul de Trieste é hoje território da Eslovênia). Mas Magris não fala exatamente da história, mas sim do impacto dos acontecimentos e do tempo no modo de vida das pessoas da região. O narrador de Magris explora as ilhas do Mar Adriático, onde italianos e croatas encontram ainda ecos dos feitos dos gregos que lá viviam; percorre vales em busca de parentes distantes; lembra do longo processo de unificação italiana; experimenta os dialetos que ouve, dialetos que aproximam e afastam as pessoas; sobe montanhas que marcam fronteiras, refúgio de ursos e outras feras, e também abrigo seguro para os homens nos tempos de guerra; visita o Tirol - ou antes a caricatura do que se entende por Tirol - que se divide entre a Áustria e a Itália; vaga por parques e praças, vendo nas esculturas e nos bustos registros de uma história oficial que as pessoas sentadas nos bancos entende de outra forma, mais jocosa e divertida; sonha em uma igreja (num registro francamente autobiográfico). E segue, seja em estações de trem, em parques, em cemitérios, museus, bares e pequenos restaurantes do campo, deixando a gente do povo contar sua história, filtrando algo dela para o leitor. Mas o narrador sabe que as interpretações das coisas mudam com o tempo, sabe que cada época acrescenta uma camada de história e vida naquelas montanhas, naqueles campos, naquele mar. [início: 17/03/2013 - fim: 31/05/2013] "Microcosmos", Claudio Magris, tradução de Roberta Barni, Rio de Janeiro: editora Rocco, 1a. edição (2002), brochura 14x21cm., 251 págs., ISBN: 85-325-1374-3 [edição original: Microcosmi (Milano, Garzanti Libri) 1997]

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