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    O belo na arte - Curso de estética

    G. W. F. Hegel

    Martins Fontes
    2009
    680 páginas
    22h 40m
    ISBN-13: 9788578271091
    Português Brasileiro
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    Unidade perfeita e indivisa, o belo artístico foi-se diferenciando em várias formas de arte, de tal modo que o espírito artístico as desenvolveu e ordenou num sistema de concepções artísticas do divino e do humano. Esta primeira parte do Curso de estética trata do conceito geral do belo e da realidade do belo na natureza e na arte independentemente do seu conteúdo particular e das suas diferentes exteriorizações.

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    Marcos Augusto picture
    Marcos Augusto26/09/2023Resenhou um livro
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    Hegel argumenta em sua lógica especulativa que o ser deve ser entendido como razão autodeterminada ou “ideia”. Na filosofia da natureza, contudo, ele prossegue mostrando que a lógica conta apenas metade da história: por tal razão não é algo abstrato – não é um logos desencarnado – mas assume a forma de matéria racionalmente organizada. O que existe, segundo Hegel, não é apenas razão pura, mas matéria física, química e viva que obedece a princípios racionais. A vida é mais explicitamente racional do que a mera matéria física porque é mais explicitamente autodeterminada. A própria vida torna-se mais explicitamente racional e autodeterminada quando se torna consciente e autoconsciente – isto é, a vida que pode imaginar, usar a linguagem, pensar e exercer a liberdade. Essa vida autoconsciente Hegel chama de “espírito” (Geist). A razão, ou a Ideia, torna-se totalmente autodeterminada e racional, portanto, quando assume a forma de espírito autoconsciente. Isto ocorre, na visão de Hegel, com o surgimento da existência humana. Os seres humanos, para Hegel, não são, portanto, apenas acidentes da natureza; eles são a própria razão – a razão inerente à natureza – que ganhou vida e tomou consciência de si mesma. Além dos seres humanos (ou de outros seres racionais finitos que possam existir noutros planetas), não existe nenhuma razão autoconsciente no universo de Hegel. Na sua filosofia do espírito objetivo, Hegel analisa as estruturas institucionais que são necessárias para que o espírito – isto é, a humanidade – seja adequadamente livre e autodeterminado. Estes incluem as instituições de direito, a família, a sociedade civil e o Estado. Na filosofia do espírito absoluto, Hegel analisa então as diferentes maneiras pelas quais o espírito articula a sua compreensão última e “absoluta” de si mesmo. A compreensão mais elevada, mais desenvolvida e mais adequada do espírito é alcançada pela filosofia (cuja compreensão do mundo acaba de ser esboçada). A filosofia fornece uma compreensão conceitual explicitamente racional da natureza da razão ou da ideia. Explica precisamente por que a razão deve assumir a forma de espaço, tempo, matéria, vida e espírito autoconsciente. Na religião – sobretudo no Cristianismo – o espírito dá expressão à mesma compreensão da razão e de si mesmo que a filosofia. Na religião, contudo, o processo pelo qual a Ideia se torna espírito autoconsciente é representado – em imagens e metáforas – como o processo pelo qual “Deus” se torna o “Espírito Santo” que habita na humanidade. Além disso, este processo é aquele em que depositamos a nossa fé e confiança: é objeto de sentimento e crença, e não de compreensão conceitual. Na opinião de Hegel, a filosofia e a religião – ou seja, a própria filosofia especulativa de Hegel e o cristianismo – compreendem ambas a mesma verdade. A religião, porém, acredita numa representação da verdade, enquanto a filosofia entende essa verdade com total clareza conceitual. Pode parecer estranho que necessitemos de religião, se tivermos filosofia: certamente esta última torna a primeira redundante. Para Hegel, porém, a humanidade não pode viver apenas de conceitos, mas também precisa imaginar, imaginar e ter fé na verdade. Na verdade, Hegel afirma que é sobretudo na religião que “uma nação define o que considera ser verdade” A arte, para Hegel, também dá expressão à compreensão que o espírito tem de si mesmo. Difere da filosofia e da religião, no entanto, por expressar a autocompreensão do espírito não em conceitos puros, ou nas imagens da fé, mas em e através de objetos que foram feitos especificamente para este fim pelos seres humanos. Tais objetos – feitos de pedra, madeira, cor, som ou palavras – tornam a liberdade do espírito visível ou audível para o público. Na opinião de Hegel, esta expressão sensual do espírito livre constitui a beleza. O propósito da arte, para Hegel, é, portanto, a criação de belos objetos nos quais o verdadeiro caráter da liberdade recebe expressão sensual. O objetivo principal da arte não é, portanto, imitar a natureza, decorar o que nos rodeia, levar-nos a envolver-nos em ações morais ou políticas, ou tirar-nos da nossa complacência com um choque. É permitir-nos contemplar e desfrutar de imagens criadas da nossa própria liberdade espiritual – imagens que são belas precisamente porque dão expressão à nossa liberdade. O propósito da arte, por outras palavras, é permitir-nos trazer à mente a verdade sobre nós mesmos e, assim, tomar consciência de quem realmente somos. A arte existe não apenas pela arte, mas pela beleza, isto é, por uma forma distintamente sensual de autoexpressão e autocompreensão humana.

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    Georg Wilhelm Friedrich Hegel

    Filósofo alemão, considerado como um dos maiores representantes do idealismo alemão do século XIX. <br> Nasceu em 1770 em Stuttgart. Após passar pela Universidade de Tubinga, Hegel instala-se em Berna como preceptor. Nesta primeira época interessa-se pela teologia. Em 1796 escreve uma Crítica da Ideia da Religião Positiva. Entre 1798 e 1801 é preceptor em Francoforte e começa a interessar-se intensamente pela filosofia e pela política. Recebe a influência das ideias políticas de Rousseau. Em 1801 instala-se em Iena, onde, em contacto com Schelling, adota a sua filosofia da natureza. Em 1807 publica a Fenomenologia do Espírito e em 1812 a Propedêutica Filosófica, que constituem uma introdução à sua doutrina, exposta com mais amplitude na sua obra capital, Ciência da Lógica (1812-1816).

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    Baden-Württemberg, Alemanha

    Georg Wilhelm Friedrich Hegel