O homem que sabia javanês -

    Lima Barreto

    Kiwitech
    2009
    40 páginas
    1h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Uma feroz e concisa crítica à fama, ostentação e intelectualismo falso, este conto de humor de Lima Barreto foi originalmente publicado em um jornal em 1911. É a confissão, dada sobre uma cerveja a um amigo, de um ex- trambiqueiro que fez seu nome e sua fortuna com a alegação falsa que seria influente em javanês, apesar de só ter aprendido seu alfabeto e alguns fatos sobre a literatura e geografia de Java tirados de enciclopédias, depois de ter visto um anúncio de jornal para um professor desse idioma. Contratado por um homem rico que só queria ler um livro que era herança de família, ele conseguiu com mentiras e armações subir à admirável posição de Cônsul, sentindo cada vez menos remorso e medo de ser pego com o passar dos anos.

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    Phelipe Guilherme Maciel picture
    Phelipe Guilherme Maciel03/03/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crítica bem humorada à Sociedade Brasileira e aos falsos intelectuais.

    Lima Barreto é filho de pai e mãe negros, escravos, que após a abolição da escravatura trabalharam respectivamente como tipógrafo e professora, dando assim ao filho total acesso à educação. Lima Barreto cresceu com olhos vorazes para criticar a sociedade brasileira, que considerava racista, preconceituosa e hipócrita. No conto "O Homem que Sabia Javanês", o escritor conta de um malandro que sobrevivia de pequenos golpes, muitos deles desaparecer sem pagar a pensão, contar mentiras e que gostava da vida mansa. Numa situação que estava enrascado, viu o anuncio que buscava-se um professor de Javanês para ensinar um poderoso conde. Ele sem saber mais que 4 palavras da língua, que pesquisou previamente à entrevista que dar-se-ia na casa do Conde, ludibriou-o como grande mestre de Javanês, filho de Javanês nato. Não apenas enganou o Conde, mas virou membro do governo brasileiro como Consul e Diplomata, indo inclusive ao estrangeiro para representar o país. Uma crítica excelente à uma sociedade hipócrita que valoriza tantos falsos intelectuais, contada com humor excelente e irônico. Cabe lembrar que Lima Barreto, grande intelectual escritor de romances como Clara dos Anjos, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, entre outros, foi um grande crítico de sua época, que não pode terminar os estudos devido a falta de apoio da intelectualidade brasileira, negado na Academia Brasileira de Letras simplesmente por ser negro (Instituição essa fundada por um mulato, Machado de Assis), que morreu desiludido e pobre, sem ver a maioria de seus romances ser sequer publicada, a grande maioria veio a ser impressa postumamente.

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