O mito de Jasão e os Argonautas ocupa um lugar muito importante na mitologia grega. Ele relata a expedição heróica que cruzou pela primeira vez mares e terras desconhecidos repletas de perigo, em busca do velo de ouro - um tesouro - a que se atribuía o poder de trazer prosperidade e riqueza a quem o possuísse. Entre os 50 heróis que participaram dessa expedição estavam nada mais, nada menos que Jasão, Hércules, Teseu e Orfeu. O livro nos leva a conhecer nessa jornada, junto com os Argonautas, os confins do mundo. O livro de Menelaos Stephanides é talvez a versão mais completa e fiel ao texto original, escrito por um grego para o ocidente. Menelaos escreve com base de quem nasceu e se criou no mundo dos gregos e, com seu vastíssimo conhecimento sobre o mundo e a cultura gregos, reescreveu numa linguagem acessível ao público geral as obras clássicas gregas. Altamente recomendável, não apenas este, mas todos os demais livros do autor.
Jasão e os Argonautas -
Menelaos Stephanides
Adaptação do grande épico de Apolónio de Rodes
As Argonáuticas é um poema épico em grego antigo de Apolónio de Rodes, escrito no século III a.C., e adaptada por Menelaos Stephanides, que nasceu em 1923 em Istambul, na Turquia, com a intenção de apresentar os mitos para as jovens gerações. Jasão e os Argonaltas narra a viagem de vários heróis, liderados por Jasão, a bordo da nau Argo cruzando mares e terras desconhecidas e cheia de perigos em busca do velo de ouro; que prometia trazer poder, riqueza e prosperidade a quem o possuísse. Conhecia Jasão apenas pela peça Medeia de Eurípides onde ele com total descaramento leva a mulher a loucura e a ponto de praticar o ato mais abominável desse mundo. Achei que conhecendo o início do relacionamento dos dois minha opinião sobre o herói seria amenizada e o veria com bons olhos, mas fica impossível levando em conta a forma que Medeia foi induzida por Hera, Atenas e principalmente Afrodite e Eros a se apaixonar perdidamente e desistir de suas obrigações e sua família para seguir e servir a Jasão em sua expedição. E ainda têm as promessas que ele faz a ela por livre e espontânea vontade e as decisões erradas que toma no final. Em resumo: Jasão usou Medeia e depois a traiu deixando-a enlouquecida e isso já contaminou o personagem para mim. A aventura foi dinâmica e cheia de perigos me fazendo não querer largar o livro. A viagem pelos mares, de ilha em ilha, com os maiores heróis de toda a mitologia (Hércules, Teseu, Castor, Pólux, Peleu, Zeto e Cálias, Linceu, Orfeu e muitos outros, inclusive Laerte, pai de Ulisses) teve momentos de tirar o fôlego tornando impossível não gostar da leitura. Adoraria ter lido Os Argonaltas antes de ter lido Medeia para não ter iniciado a leitura já desgostando do personagem principal, mas independente de qualquer coisa essa é uma epopeia que, apesar de muitas vezes ter sido analisada e tida como uma tentativa de imitar os poemas de Homero, traz uma narrativa rica; com heróis, seres místicos, deuses, reis e um objeto encantado que move os personagens de uma história interessantes à outra; onde os acontecimentos são excitantes e que, do início ao fim, mantêm nossa atenção presa aguardando o destino final da expedição dos heróis aventureiros. Eu gostei muito de como a epopeia foi escrita de forma versátil e sem muitas das repetições que encontramos nos grandes épicos, gostei também de como ela desperta o interesse assim que a narrativa começa contando o triste fado de Frixo e Hele e a origem do Velo de Ouro, mas gostei ainda mais de como a História mostra a tragicidade do herói que ao receber a proposta de Creonte, reconhece o quanto é desprezível pelo que cogita fazer... entretanto, faz assim mesmo. Certamente foi uma leitura imersiva e empolgante, e apesar dos sentimentos que eu já nutria por Jasão, desde a peça Medeia de Eurípides, reconheço que esse volume 03 da coleção mitologia grega (helênica) é uma boa adaptação do grande épico de Apolónio de Rodes. Recomendo para todos.
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