Vergílio Ferreira possui uma linguagem própria, rara na literatura, com uma voz narrativa que só os portugueses tem, de uma tradição que incluo Garret, Pessoa, Eça até José Saramago.
A história de Cláudio que reconstrói sua vida ao lado do caixão de seu filho com quem acerta definitivamente as contas feitas pela vida, é um caminho tortuoso de um homem que precisa medir seu tamanho frente a um mundo que pretende diminui-lo.
O tema da morte que permeia o livro tem muito a ver também com a imagem do mar. Aliás, o mar para o português é a concretização de toda sua trajetória na história mundial: vida e morte, duas pulsões que concomitantemente exercem sua força nos homens e mulheres nesse espremido país europeu.