''Chico Torres (não vou chamá-lo de Chico Somente, pois seria uma aproximação abusiva) era fascinado pela Amazônia. Uma dessas loucas paixões que levam os homens aos grandes atos de amor, o maior deles, a construção do próprio destino. E o destino de Chico Torres estava lá, no meio da imensidão verde, da renda bordada pelos rios, da riqueza da fauna, do fascínio de uma flora inexplorada. A Amazônia sugou Chico Torres para atender à necessidade atávica de enriquecimento do solo, como quem diz: 'A mim, os que me amam'.'' Assim como Chico Torres, uma vasta gama de personagens desfilam ao longo de contos intumescidos de humor e ironia que remetem aos episódios que muitos de nós vivemos, presenciamos ou, até mesmo, ouvimos falar. É o bizarro, o estranho e o inesperado personificados através de figuras como Gigi Alegria, Romeu e Julieta, Greg, Dona Rosinha e Doutor Veiga da Silva, entre outros. Quem lê os contos de Bala Bendita tem a sensação de que I. Lucena percebe a vida como uma comédia, um vanderville, como todos os seus enredos deselvolvidos em estilo de opereta, variando do dramático ao inebriante, do subjetivo ao real, apresentando temas, movimentos e variações regidos por um inexplicável moto-continum que, para o deleite do próprio leitor, enquanto o mundo for mundo, jamais se esgotará.
Bala Bendita - Contos
I. Lucena
Minerva Press
2000
225 páginas
7h 30m
ISBN-15: 85_87772__01__5
Português Brasileiro
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