O amor é uma droga pesada Como se eu fosse velha muito velha pela milésima vez correndo essas estradas aqui barranco de terra vermelha ali capim-gordura incendiado ao sol a casa pobre bucólica só de longe o gado magro o arame farpado o vira-lata caipira e eu mulher muito velha voltando mais uma vez da viagem sem esferas com minha inútil bagagem de antigos registros sentimentais brasileiros. o amor é uma droga pesada perde-se a exata dimensão da vida e o retorno é lento, cheio de falsas visões cold turkey me quero de volta e que esses matos voltem a fazer sentido sinto falta do mundo sintetizado em sua ordem nos meus pensamentos não esse oco reverberando mandalas nos ossos do crânio não a dissolução de todas as certezas o mundo apenas sua representação me contendo me dizendo a que pertenço afinal o amor é uma droga pesada e eu uma velhíssima mulher gozando pela milésima vez a viagem infernal.
