Este é um romance dos nossos dias -- tão representativo que poderia ser encerrado numa urna das que serão abertas daqui a cem anos para revelar como somos. Nele estão retratados com nitidez os característicos dos dias de hoje: essa nossa confusão em torno de valores, o anseio pela liberdade, a preeminência do gozo, o pacifismo e o antimilitarismo... Tudo exposto num estilo direto, seco, clínico. altamente descritivo, o autor recorre ao cinematográfico, reproduz impressões da viagem, na complexidade da rota, na agitação da máquina, na impaciência da mulher. Outro elemento fundamental da história -- e do nosso tempo -- é o SEXO. E ele comparece no romance em letras maiúsculas. Sexo é escudo contra o sofrimento, a doença, é recurso contra a existência vazia, hoje tão comum. E quando não houver mais sexo -- a morte. A motocicleta, na sua insensibilidade, nem de fera, de máquina, é simbolização hodierna do sexo através do motor potentíssimo, dos refinamentos técnicos, do brilho hipnótico dos cromos. É o grande garanhão assexuado, o símbolo fálico inoperante, concebido pela imaginação de um dos maiores escritores da atualidade.
A motocicleta -
André Pieyre de Mandiargues
Inova
1966
178 páginas
5h 56m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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