Uma antologia em que se procede por seleção de textos nunca pode ser inteiramente consensual, pois inclui tomadas de decisão próprias e critérios da responsabilidade de quem organiza a mesma seleção. Neste caso, o trabalho è tanto mais difícil quanto António Ramos Rosa é, por um lado, um" autor de obra vasta (incluindo antologias e pequenas edições, ela ultrapassa os cem títulos) e de tal qualidade que dificulta a escolha dos poemas. Por outro, é escritor de ensaios e conta com inúmeros textos e algumas teses de doutoramento sobre a sua obra, o que também nos exige leitura para melhor compreender e analisar o seu universo de criação. Dada a dimensão desta antologia, foi nossa escolha não incluir os poemas em prosa, que desequilibrariam a unidade do livro, assim como não colocar os poemas por ordem cronológica usual. Acreditamos que é melhor dar a conhecer uma obra a partir dos poemas que o escritor está a escrever no momento e proceder por regressão até aos primeiros poemas publicados. Porém, para finalizar a antologia, colocamos numa seção à parte os poemas inéditos de 2004 com que António Ramos Rosa agraciou esta edição, junto com outros que foram publicados recentemente em revistas estrangeiras e, portanto, de mais difícil acesso ao leitor. Por outro lado, se não incluímos poemas de todos os seus livros, não foi por desconhecimento destes. A nossa opção baseou-se em, independentemente dos livros, escolher os poemas que nos pareceram mais fortes e mais significativos da sua poética. Não podemos deixar de agradecer à Agripina Costa Marques todo o material que pôs à nossa disposição, pois uma das maiores dificuldades que enfrentamos foi o número de livros esgotados ou de difícil acesso. Neste momento, confessamo-nos felizes por dar a conhecer este autor ao público brasileiro, Esperamos que acrescente ao leitor tudo o que nos ofereceu. Rosa Alice Branco e Rodrigo Petronio (Prefácio e Organização da obra)
