Os ensaios contidos nesse livro, sob a forma de capítulos, são imprescindíveis para conhecer a obra de Roger Chartier. De uma só vez, o livro consegue tratar dos principais debates historiográficos a partir da década de 1970 (que, em grande medida, ainda orientam a prática da história); da força do cabedal conceitual reatualizado por alguns dos principais historiadores franceses das décadas de 1960-80 (que, contraditoriamente, viveram em grande parte à margem do <i>mainstream</i> da historiografia francesa); e, por fim, discute alguns dos principais pontos-chave da metodologia aplicada pelo autor em suas pesquisas e pelos princípios de inteligibilidade que orientam sua obra (toda ela interdisciplinar).
O único impeditivo para atribuir cinco estrelas a esse livro incrível foi a horrenda omissão que ocorreu no texto <i>O mundo como representação</i>, capítulo 2 da <b>Primeira parte</b>. De alguma forma, os editores excluíram o subtítulo <i>Monde du texte et monde du lecteur : la construction du sens</i> (situado entre as páginas 1509-1511 da publicação original nos <i>Annales</i>) e amalgamaram seu primeiro e último parágrafos ao início do subtítulo seguinte. Daí para frente o texto segue, mas irremediavelmente mutilado da discussão de alguns princípios colocados por Paul Ricoeur e D.F. McKenzie.